Missionários: de Gabinete, de Palco e o Empreiteiro


Missionários: de gabinete, de palco e o empreiteiro

Missionários: de gabinete, de palco e o empreiteiro

Carta para o irmão James.

Agradeço a você pelo seu post “Dízimos e Ofertas: muitos querem que Deus volte atrás em sua Palavra“, que me inspirou escrever esta carta para você e para todos nossos irmãos que buscam se aperfeiçoar contínuamente na fé cristã.

A construção de monumentais templos de tijolos é algo perigosamente próximo do que Cristo mais abominava: a idolatria! Não se cultuam estátuas, mas se cultua o próprio templo como se ídolo fosse. Cristãos se orgulham de ter constuido um templo maior do que o templo do cristão vizinho. O pastor vizinho sente-se humilhado e reforma seu templo para que seja de novo o maior da cidade. Certamente, não é essa a boa luta que Deus espera de nós.

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Se ofertamos um valor para nossa igreja, é para que esse valor seja utilizado para a obra de Deus na terra e não para obras humanas desnecessárias, tais como templos enormes e caros que só servem para alimentar o ego de certos pastores. Eu fico imaginando se a comunidade cristã brasileira se unisse para verificar para onde vai o dinheiro do dízimo, os resultados podem ser muitas vezes chocantes.

O dízimo deve ser usado para a obra de Deus na terra. Mas qual é fundamentalmente a obra de Deus na face da terra? É impossivel resumir a imensa obra de Deus em uma frase. Mas suponhamos que fosse possível. Essa frase seria: “propagar a palavra de Deus na terra”. Ou seja, ir aonde não fomos.

Jesus escandalizava os puristas fariseus quando ia à casa dos gentios (impuros). E qual foi a resposta d’Ele? Mateus 9:10 a 13:

“…porque come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” Responde Jesus: “Os sãos não precisam de médico e sim os doentes. Eu não vim para chamar os justos e sim os pecadores”

A igreja de Cristo não se constrói com tijolos

A missão fundamental da igreja de Deus na terra não é construir templos para os crentes. É levar a fé aos que não conhecem Cristo, os gentios, os pecadores.

Vejam o exemplo do apóstolo Paulo, o trabalho imenso que realizou e não foi construindo templos em honra a Deus porque sabia que não se honra Deus construindo belos e caros templos, mas convertendo pessoas para a fé cristã. Paulo viajou milhares de quilômetros por lugares perigosos e enfrentando tempestades e outras ameaças à sua vida. Ele levou a fé cristã a todos os pontos do Império Romano da Europa até a Ásia. Não, naquele tempo não se viajava em avião a jato nem havia navios de cruzeiro no  mar Mediterrâneo. Foi a pé mesmo, por que comprar uma mula era caro. Ou em embarcações precárias de madeira, atulhadas de mercadorias, sem o mínimo conforto e sujeita a ataques de piratas que venderiam a todos como escravos no porto mais próximo. Nada deteve Paulo e o resultado vemos hoje, com mais de um bilhão de pessoas que professam a fé cristã.

Não desperdice dinheiro com monumentos terrenos

Na igreja autêntica, os cultos se faziam nas chamadas “igrejas domésticas” como até hoje ocorre na China e é um grande sucesso na propagação da fé cristã! Nada de templos caros e luxuosos. Paulo também coletava dinheiro das comunidades cristãs mais prósperas e levava pessoalmente esses fundos para aquelas outras necessitadas e perseguidas. Não existe uma única passagem na Bíblia que mencione que Paulo ou outro apóstolo usou o dinheiro coletado para construir um templo. Paulo e os demais apóstolos não desperdiçavam dinheiro com tijolos, mas na conversão de SERES HUMANOS. Porque Deus não se interessa por tijolos, mas por seres humanos salvos pela conversão. A igreja de Deus é feita de pessoas e não de pedras e cimento.

Cristo manda, “missionários” desobedecem

Paulo foi um apóstolo no sentido pleno da palavra, assim como muitos outros cristãos também o foram e estão sendo agora neste momento em que lê esta carta. A palavra apóstolo vem do grego e significa “mensageiro”, aquele que leva a mensagem de Cristo. Paulo então foi um verdadeiro missionário. A esse respeito quantos dentre nós vemos que se chamam a si mesmos de “missionários” e colocam esse título antes de seus nomes, na verdade o que fizeram em prol das missões? Nada. Estiveram na linha de frente por mais que alguns dias? Nem sempre. Ora, esses ditos “missionários” simplesmente se recusam a obedecer à instrução principal do Cristo: levar a fé para os gentios. E notem que hoje em dia é muitíssimo mais fácil se movimentar pelo globo do que no tempo de Paulo. Vai-se em 24 horas do Brasil à China enquanto que Paulo levava meses para viajar um décimo dessa distância.

O “missionário” e o Missionário com ‘M’ maiúsculo

O título de missionário não se pode ser utilizado por qualquer um que assim decida. O título se merece pelo trabalho em missões. Pois então que parem de usar o falso título de missionários antes de seus nomes. Não passam de “missionários de gabinete” ou “missionários do show business” em seus palcos e no conforto do luxo que seus fiéis lhes pagaram para morar e vestir ternos e vestidos impecáveis e caros pagos com o dinheiro do dízimo. Já os “missionários empreiteiros” se encastelam nos seus templos cada vez mais caros e esquecem que a única empreitada que Deus nos manda fazer é a conversão para a fé cristã e sua prática diária. Para Deus não interessa nem cimento e nem tijolos bonitos.  Tenha certeza que Deus sabe que cada centavo que você usa para embelezar teu templo, é um centavo a menos que vai para o trabalho missionário de conversão para a fé cristã.

Simplicidade, objetividade, despojado = Cristo

Aja Como um Cristão: um local de culto DEVE ser simples, despojado e cumprir sua missão principal que é a de congregar os irmãos no louvor ao Senhor Deus. Quatro paredes e um bom telhado bastam, o resto é desperdício do dizimo dos fiéis que Deus manda seja utilizado na conversão dos gentios para a fé cristã.

Esses chamados “missionários”, normalmente a única viagem que fazem é quando vão de férias para Disneyworld, ou quem sabe para ficar um ou dois dias em algum local exótico e tirar meia dúzia de fotos com a mão no ombro dos cristãos que lá sofrem pela fé. De preferência num lugar onde não tenha lama para não sujar seus sapatos de cromo. Depois voltam correndo para seus flats. E se dizem “missionários”. Deus todo poderoso está vendo isso, Ele tudo vê. Que Deus os perdoe.

O testemunho de Maryam e Marzieh

Para o verdadeiro cristão, Missionários com “M” maiúsculo são aqueles que estão lá na luta e sofrimento e na privação. Quantos de nossos “missionários de gabinete”, “missionários do show business” bons de palco ou “missionários empreiteiros” dariam um impressionante testemunho de fé missionária cristã sob tortura como as cristãs iranianas Maryam e Marzieh (pronuncia-se Máriam e Marziê)? Leiam o diálogo das duas com o advogado de acusação islâmico na parte final do artigo. Poucos resistiriam na prisão longe de seus luxos a que estão acostumados, por que fracos na fé que sobra em abundância para as duas.

Nem donas do próprio corpo elas são, já que presas, abusadas, torturadas e doentes. Carcereiros são os donos dos corpos delas, mas elas continuam donas de seus espíritos em Cristo. Um repórter perguntou a elas o que planejavam fazer se fossem libertadas. Não, não falaram em construir templos modernosos. Responderam que lá dentro da terrível prisão de Evin em Teerã, oram para ser libertadas para “propagar a fé cristã” no Irã. Elas querem ser “apóstolos” ou “Missionárias” nos sentido pleno da palavra. Elas estão em verdadeira sintonia com a missão que Deus nos MANDA fazer aqui na terra. Deus não pede, ele MANDA fazer.

E nós, estamos nessa mesma sintonia que Maryam e Marzieh tiveram a bênção de obter de Deus? Elas obtiveram essa sintonia num palco, num gabinete ou construindo muros? Claro que não, elas simplesmente oram para Deus. Simples.

Pare, pense. Faça o que Cristo manda fazer

Nós todos da comunidade cristã brasileira, dos líderes aos humildes irmãos de fé, precisamos realmente fazer um exame de consciência pois com certeza Deus não está gostando do que vê e de quem não obedece Sua Palavra. A igreja cristã tem que recuperar sua militância ativa, o motivo de sua propagação pelo mundo. Só assim obedecemos à ordem de Deus e a fé n’Ele será propagada. E Deus nos abençoará por isso.

Meditemos a respeito da atitude de Maryam e Marzieh, é o mínimo que podemos fazer. Os apóstolos não  morreram há dois mil anos atrás. Eles estão vivos na fé em Cristo e dando grandes testemunhos pelo mundo todo enquanto escrevo estas linhas e outros gastam fortunas para construir templos.

Obrigado, irmão James, pelo seu artigo sincero e esclarecedor, que recomendo a todos que leiam.

Na paz do Senhor.

José

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8 Respostas

  1. .

    Misericórdia, e paz, e amor vos sejam multiplicados, amado em Cristo.

    Irmão José,

    Louvemos ao Senhor, que por certo e verdadeiro, o Espírito Santo nos testifica de qual seja a boa, a agradável e a perfeita vontade de Deus, no que seja fazer a Sua obra, e, que, o anúncio do evangelho que é a salvação na pessoa de Cristo, seja os primórdios da plena vida daqueles que, por Amor as almas, trazem a Luz do evangelho.

    Infelizmente, precisamos entender que, não somente são nocivos a obra de Deus e ao testemunho cristão os que se aproveitam das ofertas religiosas, como também, os que tentam através destas barganhar com Deus, não se importando com a Grande Missão que Jesus nos ordenou: o IDE!!

    Por Cristo. Em Cristo. Para Cristo. Nos interesses de Sua Igreja.

    Fraternalmente,

    irmão James.
    Jesus, o maior Amor
    Comunidade “Adoradores em Casas”
    Comunidade “Blogueiros Cristãos”


    ..
    .

  2. Olá José.
    Boa reflexão. Meio ácida, bem como gosto. Infelizmente os ministérios, e o próprio “evangelhinho” propagado estão abismalmente separados do exemplo bíblico. Temos de continuar orando, e resistindo, e principalmente praticando o certo (pelo menos o mais certo possível, sendo que tb somos passíveis de erros) a prática bíblica, e levar um evangelho completo, integral custe o que custar.
    Abraços irmão.
    Alberto

  3. […] Missionário Mártir. Assine nosso Twitter para receber aviso a continuação. Enquanto isso, leia este artigo do Time de […]

  4. O legado que deixarei para meus filhos e netos, bem como para diversas pessoas que conduzí a Cristo ao longo de vários anos, é o que entendo e sempre entendi por “missões”. Quando ainda jovem, no vigor de meus 20 anos (já se passaram mais 38 desde então), vim para a Amazônia com um ideal no coração. Sem contar com ajuda financeira e nenhum apoio oficial (a não ser uma declaração do Seminário, de que eu estava em viagem missionária, “com o fim de estudar a língua e cultura indígenas”), antes, pelo contrário, um solene aviso de que não receberia nenhum tipo de apoio financeiro, assim mesmo parti do Estado do Paraná com destino ao Estado do Amazonas. Aqui chegando (impossível contar neste espaço as peripécias da viagem!), realizei as primeiras viagens com um grupo vindo de Brasília. Mas quando fiquei sozinho e recusei retornar ao Paraná depois de 6 meses (seria o tempo máximo para o treinamento), simplesmente chegava na beira do rio Negro, entrava em contato com o dono de uma embarcação, me identificava, mostrava os meus documentos e solicitava uma passagem para onde ele se dirigia. Mas não aceitava viajar de graça. Insistia em trabalhar à bordo, lavando o convés, auxiliando na cozinha, ajudando no embarque e desembarque das mercadorias, aprendendo a arte da navegação e manutenção de motores. Desembarcava em uma determinada povoação e começava a falar com os moradores sobre o Evangelho. Conseguia uma hospedagem, mas, do mesmo modo, insistindo em ajudar o hospedeiro em seu trabalho na roça, na pesca ou no seringal. Jamais comendo de graça ou às custas de ninguém. Fiz esse tipo de missões por cerca de 4 anos, sozinho e sem estar preso ao bolso de ninguém ou de qualquer organização. As pessoas ganhas para o Evangelho eram direcionadas às Igrejas evangélicas que estivessem mais próximas dos povoados e seringais onde eu estivesse. Só então retornei ao Seminário para mais 1 ano de estudos. Voltei (também sem a ajuda de ninguém, só com o fruto de meu trabalho), casei-me com uma missionária que pensava e agia do mesmo modo maluco que eu e passamos a viver pelas margens do rio Purús, auxiliando diversas missões em seringais, povoados, pequenas cidades e aldeias indígenas. Nossos filhos nasceram e cresceram no campo missionário. Agora estamos envelhecendo, moramos em Manaus já a diversos anos, temos casa própria, nossos filhos têm seus próprio empregos e suas casas próprias também. Trabalhamos em diversas Igrejas em Manaus (somos Batistas Regulares), ministramos durante vários no Seminário, preparando obreiros e missionários, abrimos trabalhos novos, congregações e construimos Igrejas (ou melhor dizendo: templos!). Temos nossas fontes de renda provenientes de aluguel e de vendas e não recebemos salário de Igrejas, pois preferimos ajudar sem interesse financeiro algum. Sabem de uma coisa? Jamais trocaria isso pelos salários milionários desses pretensos “missionários”, que jamais pegaram malária e nem dengue nas margens dos rios da Amazônia, como nós e nossos filhos (não nos arrependemos disso, foi muito bom termos passado por todas as experiências, nos tornou cristãos muito mais fortes!). Agora estou confortavelmente assentado em minha cadeira giratória, escrevendo em meu moderno computador, tendo ao lado o meu Notebook de reserva, com conexão de Internet banda larga por satélite, olhando para meu quintal amplo, cheio de árvores frutíferas, plantadas com carinho por mim e minha esposa. Mas se tivéssemos que voltar para a beira do Purús de novo, voltaríamos tranqüilos e felizes, mesmo não tendo mais a energia da mocidade. Mas jamais moraríamos em Miami ou na Flórida, ou qualquer outro lugar, em luxuosas mansões, compradas às custas de dízimos e ofertas arrancados pela força de mentiras, ou promessas de prosperidade ou “curas divinas” , desses modernos sistemas de tele-missionários e tele-evangelistas que infestam a Mídia nacional e internacional!
    Pr. Sérgio Aparecido Dias
    prsadias@hotmail.com
    Site: AMAZÔNIA VIVA
    http://www.floresta-viva.blogspot.com

  5. […] de Deus no Níger (África) Ex-paquito faz trabalho missionário no ‘pior lugar do mundo’ Missionários: de Gabinete, de Palco e o Empreiteiro MISSIONÁRIO: Maluco, Mártir, Mendigo ou o Quê? – parte 1 Reflexão para Pastores: Marcha […]

  6. […] “missionários” empreiteiros e poucos evangelizadores: Cristo desaprova […]

  7. […] Pr. Sérgio Aparecido Dias comentou o artigo “Missionários: de Gabinete, de Palco e o Empreiteiro“. O Pr. Sérgio é um Missionário evangelizador que tem o direito de usar o título, com […]

  8. […] Twitter para receber aviso da continuação dessa série de artigos. Aproveite e leia também este artigo do Time de Cristo.Email para um amigo ou divulgue no Facebook | Digg | Del.icio.us […]

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