Testemunho Missionário: Pr. Sérgio Aparecido Dias


O Pr. Sérgio Aparecido Dias comentou o artigo “Missionários: de Gabinete, de Palco e o Empreiteiro“. O Pr. Sérgio é um Missionário evangelizador que tem o direito de usar o título, com “M” maíusculo. O Pr. Sérgio também fala sobre o sentimento de “missionário maluco” mencionado pela Missionária Antonia neste testemunho e por isso estou criando a categoria “Loucos de Deus” neste blog. Leiam o testemunho do Missionário Sérgio, a seguir:

O legado que deixarei para meus filhos e netos, bem como para diversas pessoas que conduzí a Cristo ao longo de vários anos, é o que entendo e sempre entendi por “missões”.

Quando ainda jovem, no vigor de meus 20 anos (já se passaram mais 38 desde então), vim para a Amazônia com um ideal no coração. Sem contar com ajuda financeira e nenhum apoio oficial (a não ser uma declaração do Seminário, de que eu estava em viagem missionária, “com o fim de estudar a língua e cultura indígenas”), antes, pelo contrário, um solene aviso de que não receberia nenhum tipo de apoio financeiro, assim mesmo parti do Estado do Paraná com destino ao Estado do Amazonas.

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Aqui chegando (impossível contar neste espaço as peripécias da viagem!), realizei as primeiras viagens com um grupo vindo de Brasília. Mas quando fiquei sozinho e recusei retornar ao Paraná depois de 6 meses (seria o tempo máximo para o treinamento), simplesmente chegava na beira do rio Negro, entrava em contato com o dono de uma embarcação, me identificava, mostrava os meus documentos e solicitava uma passagem para onde ele se dirigia.

Mas não aceitava viajar de graça. Insistia em trabalhar à bordo, lavando o convés, auxiliando na cozinha, ajudando no embarque e desembarque das mercadorias, aprendendo a arte da navegação e manutenção de motores. Desembarcava em uma determinada povoação e começava a falar com os moradores sobre o Evangelho.

Conseguia uma hospedagem, mas, do mesmo modo, insistindo em ajudar o hospedeiro em seu trabalho na roça, na pesca ou no seringal. Jamais comendo de graça ou às custas de ninguém. Fiz esse tipo de missões por cerca de 4 anos, sozinho e sem estar preso ao bolso de ninguém ou de qualquer organização.

As pessoas ganhas para o Evangelho eram direcionadas às Igrejas evangélicas que estivessem mais próximas dos povoados e seringais onde eu estivesse. Só então retornei ao Seminário para mais 1 ano de estudos.

Voltei (também sem a ajuda de ninguém, só com o fruto de meu trabalho), casei-me com uma missionária que pensava e agia do mesmo modo maluco que eu e passamos a viver pelas margens do rio Purús, auxiliando diversas missões em seringais, povoados, pequenas cidades e aldeias indígenas.

Nossos filhos nasceram e cresceram no campo missionário. Agora estamos envelhecendo, moramos em Manaus já a diversos anos, temos casa própria, nossos filhos têm seus próprio empregos e suas casas próprias também. Trabalhamos em diversas Igrejas em Manaus (somos Batistas Regulares), ministramos durante vários no Seminário, preparando obreiros e missionários, abrimos trabalhos novos, congregações e construimos Igrejas (ou melhor dizendo: templos!).

Temos nossas fontes de renda provenientes de aluguel e de vendas e não recebemos salário de Igrejas, pois preferimos ajudar sem interesse financeiro algum.

Sabem de uma coisa? Jamais trocaria isso pelos salários milionários desses pretensos “missionários”, que jamais pegaram malária e nem dengue nas margens dos rios da Amazônia, como nós e nossos filhos (não nos arrependemos disso, foi muito bom termos passado por todas as experiências, nos tornou cristãos muito mais fortes!).

Agora estou confortavelmente assentado em minha cadeira giratória, escrevendo em meu moderno computador, tendo ao lado o meu Notebook de reserva, com conexão de Internet banda larga por satélite, olhando para meu quintal amplo, cheio de árvores frutíferas, plantadas com carinho por mim e minha esposa.

Mas se tivéssemos que voltar para a beira do Purús de novo, voltaríamos tranqüilos e felizes, mesmo não tendo mais a energia da mocidade. Mas jamais moraríamos em Miami ou na Flórida, ou qualquer outro lugar, em luxuosas mansões, compradas às custas de dízimos e ofertas arrancados pela força de mentiras, ou promessas de prosperidade ou “curas divinas” , desses modernos sistemas de tele-missionários e tele-evangelistas que infestam a mídia nacional e internacional!

Pr. Sérgio Aparecido Dias
prsadias@hotmail.com
Site: AMAZÔNIA VIVA

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2 Respostas

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