Preso Lider do Ataque de 2008 em Orissa


Justiça indiana "não encontra provas"

Polícia indiana "18 meses para prender acusado"

NOVA DÉLI, Índia, 11 de dezembro de 2009 (CDN) – a polícia do estado de Orissa prendeu um membro do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP) sob acusações de liderar o ataque que resultou no estupro de uma freira cristã católica durante o tumulto anti-cristão de 2008 no distrito de Kandhamal.

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Por mais de 14 meses, a polícia estava procurando por Gururam Patra, identificado por residentes locais como secretário-geral do partido nacionalista hindu BJP no distrito de Kandhamal. Ele foi preso no sábado 6 de dezembro de 2009 na cidade de Balliguda. Patra foi acusado por liderar o ataque mas não pelo estupro da freira.

O sr. Dilip Kumar Mohanty, um investigador da polícia, disse que uma ordem de prisão sem direito a fiança foi emitida contra Patra, acusado de ser “o principal organizador” do ataque de 25 de agosto de 2008, no qual a freira cristã Meena Lalita Barwa, de 28 anos de idade, afirma ter sido estuprada.

O investigador Mohanty disse que acumulou “evidências suficientes” contra Patra. “Foi ele quem entrou na casa onde estava a freira e a arrastou para fora, junto com seus colegas que depois cometeram o crime de estupro”, disse Mohanty. A polícia já prendeu 18 pessoas que se associaram com Patra para cometer as violências.

O reverendo Ajay Singh da arquidiocese católica de Cuttack-Bhubaneswar disse que Patra havia se tornado o “terror” para os cristãos locais, por que “ele estava ameaçando todos aqueles que o haviam identificado e acusado em numerosos processos judiciais”.

A violência na cidade de Kandhamal, no estado de Orissa, aconteceu entre agosto e setembro de 2008, matando mais de 180 pessoas – a maioria morta a machadadas ou queimadas vivas, bem como promovendo a queima de mais de 4.500 casas, a destruição de 250 igrejas e 13 escolas cristãs.

Causas

A violência começou depois que um líder político do partido VHP, sr. Swami Laxmanananda Saraswati, foi morto por guerrilheiros maoistas (comunistas da linha chinesa) no dia 23 de agosto de 2008. Os grupos extremistas hindus acusaram erroneamente os cristãos pelo assassinato.

Um cristão da vila de Nuagaon, onde a freira disse ter sido estuprada, disse que o sr. Patra era o secretário-geral do partido nacionalista hindu BJP para o distrito de Kandhamal. Mas o partido BJP dizem não terem nenhuma ligação com o sr. Patra.

O sr. Suresh Pujari, presidente do BJP no estado de Orissa, disse que ele não sabia se o sr. Patra era membro do partido BJP. “Eu escutei falar seu nome, mas nunca o encontrei” disse ele. “O BJP é uma grande organização, e eu não conheço a todos os membros”. Sendo secretário-geral do partido BJP para o distrituo de Kandhamal, certamente o líder da violência sr. Gururam Patra tem sua ficha nos arquivos do partido BJP, basta a polícia indiana investigar.

O investigador de polícia sr. Mohanty disse que a polícia ainda está verificando sua filiação ao partido, mas “parece que ele era do grupo RSS (Rashtriya Swayamsevak Sangh, traduzido para Corpo Nacional de Voluntários)”. Mohanty disse que o sr. Patra não estava sendo acusado de estupro mas de ser o líder do ataque.

No dia 11 de novembro de 2009, o Primeiro-Ministro do estado de Orissa sr. Naveen Patnaik disse perante a câmara de deputados estadual que 85 pessoas do RSS, 321 membros do Vishwa Hindu Parishad (traduzido para Conselho Mundial Hindu ou VHP) e 118 membros do Bajrang Dal (organização de jovens do VHP) foram presos pela polícia por causa dos ataques de agosto de 2008 no distrito de Kandhamal.

Educado por Cristãos

A agência de notícias UCAN informou que o sr. Patra foi aluno de uma escola cristã católica, a Vijaya High School (Escola de Ensino Médio de Vijaya), na cidade de Raikia, distrito de Kandhamal.

O diretor da escola cristã, reverendo Mathew Puthyadam, disse que o sr. Patra era um bom aluno e respeitado pelos padres. “Eu realmente fico espantado como ele mudou”, disse o reverendo à UCAN.

A mesma agência UCAN informa que o reverendo Puthyadam disse que os grupos fascistas hindus frequentemente recrutam pessoas educadas em escolas cristãs e as doutrinam contra outros cristãos. Existem alguns poucos ex-estudantes de escolas católicas que também lideraram o povo contra os cristãos em Kandhamal, disse ele.

O rev. Puthyadam disse que quando a mãe de Patra o trouxe para a escola, ela disse que ele havia perdido seu pai e não tinham dinheiro para pagar seus estudos. O religioso cristão então arranjou uma bolsa de estudos através de uma agência de auxilio cristão para pagar os estudos do sr. Patra e seu alojamento na hospedaria Bishop Tobar.

A Polícia Recusou Ajuda

A cristã Meena Lalita Barwa (centro)

A cristã Meena Lalita Barwa (centro)

Foi durante esses ataques que a freira Meena Lalita Barwa, do Centro Pastoral de Divyajyoti na área de Nuagaon em Balliguda, disse que foi atacada e estuprada.

Numa conferência de imprensa no dia 24 de outubro de 2008, a freira disse que 40 a 50 pessoas atacaram a casa onde ela e o padre Thomas Chellantharayil estavam. O padre foi novamente atacado no dia 25 de agosto. Ela disse que os atacantes primeiro lhe deram tapas e a ameaçaram, então a levaram para fora da casa. “Haviam três homens que no começo ameaçaram me jogar no fogo” disse ela, “Então eles me jogaram na varanda (que estava) cheia de pedaços de plástico. Um desses pedaços rasgou minha blusa e roupas de baixo. Enquanto um homem prendia minha mão direita, outro fez o mesmo com minha mão esquerda enquanto o terceiro homem me estuprou”.

Outro homem tentou estuprá-la enquanto ela se levantava, disse ela, e quando uma multidão chegou à casa ela conseguiu se esconder embaixo de uma escada. Mas a multidão a arrastou para fora e ameaçou matá-la enquanto outros queriam fazê-la desfilar nua na rua.

“Ele então me bateram com suas mãos”, disse ela, “eu fui forçada a andar nas ruas vestindo apenas meu casaco e sári, pois minha blusa tinha sido arrancada por um dos atacantes. Quando chegamos na praça do mercado eu vi dois policiais ali. Eu pedi ajuda, mas eles recusaram.”

Quando a freira fez um Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia da cidade de Balliguda, disse ela, a polícia não prendeu ninguém até que um jornal indiano fez uma reportagem sobre seu caso no dia 30 de setembro de 2008.

No dia 7 de dezembro de 2009 os cristãos e ativistas dos direitos humanos criaram uma nova organização, a Associação das Vítimas da Violência do Distrito de Kandhamal, para combater as disputas crescentes na região. Essas disputas são promovidas por grupos fascistas hindus que estão ameaçando de morte os moradores dos vilarejos da região, caso eles não se reconvertam ao hinduísmo.

O líder cristão indiano John Dayal, membro do Conselho de Integração Nacional da Índia, disse que o governo da Índia ainda não está enfrentando a violência contra os cristãos.

“A administração, civil e polícia, tem que agir com força total para eliminar a campanha de ódio que está sendo promovida desde há um ano, e que está penetrando em vilas distantes, criando disputas e ódio entre as comunidades”, disse ele.

O sr. Dayal disse também que está começando a circular rumores sobre tráfico de seres humanos no distrito de Kandhamal e que projetos especiais para proteção de mulheres e especialmente jovens mulheres são urgentemente necessários. “Eu oro para que sejam apenas rumores sem fundamento”, disse Dayal.

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2 Respostas

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