Morte violenta de menina cristã no Paquistão incita a luta pela justiça


LAHORE, Paquistão, 28 de janeiro de 2010 (CDN) – Protesto da família de criança torturada volta as atenções para o abuso dos cristãos trabalhadores pobres no Paquistão.
O protesto pela morte e o funeral da garota cristã que morreu torturada e mal-tratada colocou foco incomum das atenções no abuso dos pobres cristãos no Paquistão.

Um protesto incomum feito pelos pais cristãos de Shazia Bashir Masih, em um país predominantemente muçulmano, desafia a polícia e sua atitude indiferente perante a morte violenta de sua filha pelo advogado muçulmano Chaudhary Muhammad Naeem e sua família.

O relatório médico indicou que ela morreu devagar ao sofrer golpes de um instrumento maciço sem corte, apresentando também feridas feitas por um tipo de arma afiada, uso incorreto de medicamentos, além de maus tratos. A mídia reportou o caso através dos meios de comunicação do Paquistão, juntamente com grupos minoritários de diretos humanos e políticos cristãos.

No início, a polícia agiu com indiferença. O poder do advogado Naeem, acusado do assassinato, intimidava os policiais, que se recusavam a escutar os familiares da vítima cristã. “Um caso contra um advogado não pode ser registrado,” alegaram os policiais.

Sua mãe, Nasreen Bibi, disse ao CDN que no dia em que Shazia foi morta, os policiais foram até sua casa e lhe ofereceram 30 mil rúpias (USD 350,00) para manter a morte da criança em segredo, e pagar por despesas do funeral.

“Eu me recusei a aceitar a oferta, e eles foram embora nos ameaçando de morte,”disse a mãe.

Bibi, uma viúva que após a morte de seu primeiro marido casou-se com um homem cego de 70 anos, disse ao CDN que a fome e a pobreza a forçaram enviar a filha para trabalhar na casa de Naeem, por mil rúpias no mês (USD 12,00) – a única fonte de renda da família.

Rafiq Masih, tio da vítima, disse que Shazia era mantida de forma ilegal na casa de Naeem, e era forçada a cumprir longas jornadas de trabalho, e recusava os pedidos da família para visitá-la. Há três meses, Naeem permitiu que Rafiq e a mãe de Shazia a visitassem por cinco minutos. Shazia relatou à família que o advogado muçulmano Naeem e seu filho a estupravam. Shazia também relatou que Naeem, sua esposa, e cunhada a espancavam, ameaçando-a caso ela tentasse escapar.

“Nós tentamos trazer Shazia de volta para casa,” ela disse, “mas Naeem recusou-se a deixar Shazia ir, e ele a arrastou de volta para dentro da casa de forma cruel e desumana. Ele retornou e nos ameaçou caso tentássemos acusá-lo perante a polícia por manter Shazia ilegamente.”

Um vizinho muçulmano de Naeem disse ao CDN que ele torturava Shazia. “Com freqüência a pequena garota implorava por misericórdia, e seus gritos podiam ser escutados da residência do advogado durante a noite,” o vizinho disse. “E quando Shazia pedia por comida, ela era maltratada pela esposa do advogado, pelo filho e pela cunhada.

Um dia Shazia foi severamente espancada e forçada a passar fome, porque não conseguiu resistir e pegou um pequeno pedaço de cana de açúcar do gramado da casa de Naeem, para mastigar.

Conforme a condição de Shazia deteriorava, Naeem a libertou, e a família a levou para o hospital. Após lutar pela sua vida por três dias, a pequena Shazia sucumbiu. Que Deus a receba e a recompense pela indiferença dos vizinhos que tudo sabiam e nada fizeram e pela falta de ação da polícia paquistanesa.

Família agredida no tribunal

No dia 23 de janeiro a família de Shazia, juntamente com muitos outros cristãos e muçulmanos, protestaram na Câmara de Deputados do Punjab por três horas. Isso é um fato inédito num país onde os cristãos são tratados como cidadãos de segunda classe e se sujeitam a todo tipo de humilhação para sobreviver na fé em Cristo.

A mídia reportou a falta de ação da polícia em face da morte violenta da vítima, e de muitos políticos e autoridades. O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, prometeu pagar 500 mil rúpias (USD 5.835,00), após o ministro Paquistão Shahbaz Bhatti oferecer um presente de mesmo valor para compensar a família. Mas a família da pequena Shazia não quer o dinheiro, apesar de terem perdido a unica renda de US$12,00 mensais que lhe trazia a filha. Eles querem que o assassino seja preso e condenado.

Apenas após intensa pressão política a polícia registrou o caso, e Naeem, incluindo outras seis pessoas e membros da família, foram presos no começo desta semana. O ministro Shahbaz Sharif visitou a família, e prometeu justiça.

O CDN testemunhou advogados mulçumanos gritando e protestando contra a mídia local e os cristãos paquistaneses. Esses advogados também ameaçaram espancar a família da vítima cristã.

Share

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: