Orissa II: A Continuação, 2010


retratos similares a estes causaram reação cristã

retratos similares a estes causaram reação cristã

NOVA DÉLI, Índia, 3 de março de 2010 (CDN) – Ataques no Punjab, Índia similares ao massacre de Orissa, diz relatório. Nacionalistas hindus tentam queimar cristãos vivos, por que estavam protestando contra anúncios ofensivos sobre Jesus. Ataques a cristãos no último mês na região do Punjab devido a protestos contra anúncios mostrando Jesus fumando e bebendo foram muito similares à violência anticristã no estado de Orissa em 2007 e 2008, de acordo com uma pesquisa.

“Eu fiquei surpreso com as similaridades entre os ataques no norte do Punjab e a violência na Orissa do leste em 2007 e 2008,” disse o Dr. John Dayal, um membro da missão de pesquisa do Conselho cristão de Toda a Índia (CCTI), que emitiu um relatório ontem.

Dayal, apontou que fatores como o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP) sendo membro da coalizão governista, omissão da polícia, coordenação de ataques e apoio da comunidade de mercadores locais por grupos nacionalistas hindus nos ataques anticristãos no Punjab lembraram-no do caos no distrito Kandhamal de Orissa em agosto de 2008.

“Eu estive em Orissa por quase uma semana desde dezembro de 2007 e fiquei bem familiar com o número de grupos de extrema direita e suas técnicas de intimidação,” Dayal, um membro da Equipe de Integração Nacional, disse: “A estratégia contra os manifestantes no Punjab foi bem similar à que está sendo praticado e aperfeiçoado contra igrejas cristãs em Orissa,”

A violência irrompeu distrito Kandhamal do estado de Orissa durante a semana de Natal de 2007, matando pelo menos quatro cristãos e queimando 730 cases e 95 igrejas. Os ataques vieram em retaliação pela agressão de um líder da seita extremista Vishwa Hindu Parishad (Conselho Mundial Hindu ou VHP), o sr. Swami Laxmanananda Saraswati.

Mais sangue escorreu ali entre Agosto e Setembro de 2008, depois do assassinato de Saraswati por um grupo guerrilheiro comunista maoista, quando os cristãos foram falsamente culpados por esse crime. Os novos ataques em agosto de 2008 mataram mais de 100 cristãos e queimaram 4.640 casas, 252 igrejas e 13 escolas cristãs.

Nova Orissa?

Seguindo-se aos ataques de 20 de fevereiro de 2010, uma equipe investigativa da AICC visitou a região nos dias 22 a 25 de fevereiro de 2010. Em seu relato, essa comissão explicou os ataques em Batala, uma cidade perto de Amritsar em Gurdaspur, um distrito no Punjab ocidental, onde a maioria dos cristãos é Dalit, ou “intocável”, de acordo com antigas tradições hindus. Os ‘intocáveis’ são pessoas consideradas da mais baixa casta social na Índia são obrigados a fazer todo tipo de trabalho que as castas superiores rejeitam.

Em 20 de fevereiro de 2010, um bando de partidários do grupo extremista hindu Sangh Parivar queimaram uma igreja que havia sido fundada no ano de 1865, pertencente a Igreja do Norte da Índia (INI). Eles também tentaram destruir uma igreja próxima, pertencente ao Exército da Salvação e atacaram seu pastor, Gurnam Singh, deixando-o gravemente ferido.

O grupo extremista hindu Sangh Parivar pertence às organizações sob o comando da organização hindu nacionalista principal, a Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), também tida como o grupo originário do BJP (partido que faz parte da coalizão governamental atual da Índia).

“Mesmo quando um número maior de agressores se concentrava na queima da igreja cristã CNI, um grupo de homens armados com paus e hastes veio para a casa do diácono da CNI,” o relatório nota. “O diácono, Victor Gill, e sua esposa Parveen, se esconderam debaixo da cama. Os arruaceiros danificaram as portas, tentaram entrar no quarto à força, e disseram ao casal que eles seriam queimados vivos se eles não saíssem para fora.”

Ao mesmo tempo, o relatório diz, nacionalistas hindus em outra casa da CNI abriram o tanque de combustível de uma moto, tiraram gasolina dela e jogaram-na no professor Christopher Morris e sua filha Daisy, enquanto sua mãe Usha se escondeu na casa deles.

“Eles tentaram atear fogo nos dois, mas os pavios também foram molhados de gasolina, e depois de três tentativas de acendê-los eles não funcionavam, salvando a família de ser queimada viva,” o relatório diz. Deus seja louvado por ter preservado a vida desses nossos irmãos cristãos.

Cristãos foram Provocados e Atacados

Cristãos foram atacados enquanto tentavam conseguir o fechamento de mercados da região em protesto contra os cartazes mostrando uma imagem ofensiva de Jesus Cristo. Essa imagem apareceu em anúncios à beira da estrada em preparação para um festival hindu, o Ram Navami (o aniversário da divindade hindu Rama), que acontecerá no dia 24 de março de 2010.

“Os anúncios ofensivos a Cristo foram feitos por uma coalizão de líderes políticos, da mídia e negociantes locais, junto com a comunidade de comerciantes, que é quase inteiramente hindu,” disse o relatório sem identificar quem eles são.

“O Sangh Parivar reagiu a um protesto cristão mobilizando comerciantes e a juventude para “dar uma lição nos cristãos,” o relatório continua. “De qualquer maneira, os comerciantes locais rotineiramente obrigam o fechamento de lojas”.

O Reverendo Madhu Chandra, o secretário regional da AICC, disse que os anúncios foram feitos para provocar os cristãos e depois agredi-los. A equipe de pesquisa incluía o advogado M. Adeeb da Rede Legal de Direitos Humanos, e Marang Hansda da AICC.

O retrato ofensivo contra Jesus Cristo foi publicado primeiro em um livro escolar para crianças de uma escola privada da cidade de Shillong, a capital do estado do nordeste de Meghalaya, relatou o Fundo de Imprensa da Índia em 18 de fevereiro de 2010. Publicada pela editora Skyline Publication, o livro empregava o retrato de Cristo fumando e bebendo cerveja para ilustrar a letra I do alfabeto, de “Ídolo”.

Quando alguns dos pais viram o retrato, eles a denunciaram para a diretoria da escola, que por sua vez a denunciou à polícia. Os cristãos, que são quase 80% da população de Meghalaya, protestaram. Em 18 de fevereiro de 2010 a polícia registrou um boletim de ocorrência contra a editora baseada em Déli e confiscou os livros.

Em Batala, no Punjab, a mais de 2.200km de Meghalaya, o mesmo retrato apareceu em anúncios, causando a revolta dos cristãos locais. O aparecimento da mesma foto num local assim tão distante de onde foi publicado originalmente, mostra que existe uma ação nacional coordenada de grupos radicais hindus contra os cristãos indianos. Ainda mais que o partido radical BJP faz parte do governo indiano, isso pode ser uma explicação para tal republicação do retrato ofensivo e da omissão da polícia em proteger os cristãos indianos.

A Tribuna, um jornal regional, relatou em 20 de fevereiro de 2010 que a organização Juventude Cristã tentou fechar o mercado local à força, e saqueou lojas. Mas Chandra da AICC respondeu que oficiais do distrito e a equipe de investigação não estavam certos de que esses alegações de saques eram verdadeiras.

“Os oficiais perguntaram-nos se esses relatos do jornal eram verdadeiros,” ele disse. “Mas nós só o lemos nos jornais.”

Dayal disse que nacionalistas hindus usaram o fechamento do mercado como pretexto para atacar cristãos.

“Ao invés de simpatizar e cooperar com o protesto – como os mercadores fazem quando o partido radical hindu Sangh Parivar ou o partido governista Shironami Akali Dal pedem por fechamentos do mercado local em intervalos rotineiros – eles tentaram abusar dos cristãos,” disse Dayal;

Ele ainda disse que no distrito de Kandhamal, estado de Orissa, grupos nacionalistas hindus fizeram amizade com comerciantes, na maioria povos tribais e aborígenes, e os atiçaram contra os cristãos da casta dos “intocáveis”.

Omissão da Polícia

O relatório investigativo criticou a omissão da polícia. Quando a multidão tentou queimar o cristão Morris e sua filha Daisy, disse o relatório, “a polícia estava observando” mas não fez nada para impedir o quase-crime. O relatório cita o pastor Gurnam Singh dizendo, “Nós pedimos ajuda à polícia, mas eles não vieram.”

A polícia estava em desvantagem numérica contra a multidão, como o que ocorreu em Kandhamal em Orissa, disse Dayal.

A despeito de relatórios de inteligência policial alertando explicitamente sobre o ressentimento cristão e grupos hindus nacionalistas com um plano para contra-atacar, as autoridades disseram que “não podiam impor um toque de recolher até o final de fevereiro”, no dia 20, pois a maior parte deles foi mandada para a fronteira com o Paquistão, onde o Ministro da Casa Civil P. Chidambaran inaugurou um posto de defesa.”

Quando a polícia voltou e o toque de recolher foi posto em vigor, “a violência já tinha ocorrido,” diz o relatório.

“Nenhum boletim de ocorrência foi feito nas tentativas de assassinato, mesmo quando os mais altos oficiais da polícia e da administração impuseram um “acordo de paz” injusto contra a liderança cristã local,” o relatório nota. “cristãos foram instruídos a não processar ninguém imediatamente para que um número de jovens cristãos presos – juntos com alguns homens hindus – fossem soltos. A polícia esvaziou a Igreja da Epifania à força. Eles removeram móveis queimados e fizeram um dos presbíteros lavar a parede para remover traços de gasolina usados no incêndio. Isso foi feito antes que uma investigação formal pudesse ser instaurada pelo governo.” Ou seja, a polícia forçou a destruição de provas contra os atacantes radicais hindus.

Referindo-se à omissão da polícia, Dayal disse que “o BJP, como em Orissa em 2007 e 2008, está no poder em Punjab como parte de uma coalizão de governo com o partido regional Shironami Akali Dal.

O Ministro Chefe do Punjab Sardar Prakash Singh Badal pediu a seus oficiais de polícia que descubram “toda a conspiração,” informa o relatório. Mas se a própria polícia indiana do estado de Punjab manda destruir as provas dos crimes…

Há por volta de 300.000 cristãos no Punjab, mais ou menos 1.2% de toda a população.

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