Mulher Cristã Presa sob Leis de “Blasfêmia” do Paquistão


GUJRANWALA, Paquistão, 24 de Março (CDN) – Parente muçulmano radical de acusador usa leis para se vingar, diz líder cristão. A polícia em Alipur prendeu uma mulher cristã numa acusação infundada de “blasfemar” contra o profeta Maomé e tentou impedir grupos de diretos humanos de saberem sobre a detenção, um líder cristão afirmou.

A polícia de Alipur no Punjab negou que eles haviam prendido a cristã Rubina Bibi quando Khalid Gill, coordenador regional de Lahore para a Aliança de Todas as Minorias do Paquistão (APMA) e organizador da Frente de Liberação Cristã, exigiu detalhes sobre sua prisão.

“O nome da muçulmana foi mantido secreto pela polícia e por outros muçulmanos, e nós fomos impedidos de encontrar a cristã acusada pessoalmente”, disse Gill. “A polícia de Alipur disse que eles ainda não a prenderam, contrário ao que sabemos.”

Um informante policial confiável disse em condição de anonimato que um boletim de ocorrência (n° 194/2010) datado a 20 de Março identificou Rubina Bibi de Alipur, esposa de Amjad Masih, como acusada de menções ofensivas sobre o profeta islâmico Maomé. A acusação é baseada na seção 295-C das leis de blasfêmia do Paquistão, que ganharam notoriedade internacional pelo seu mau uso por muçulmanos buscando vingança pessoal.

O informante policial disse que Rubina Bibi foi transferida para a penitenciária de Gujranwala em prisão preventiva. Alipur é uma cidade perto do conglomerado industrial paquistanês de Gujranwala.

A polícia disse à CDN que o boletim estava lacrado e que nenhuma outra informação relevante seria dada a qualquer pessoa ou à mídia.

Gill, da APMA, disse que o caso registrado contra Rubina Bibi não tinha base legal, sendo resultado de sua briga pessoal com o acusador muçulmano sobre uma disputa doméstica de menor importância. Condenando o encarceramento, Gill alegou que um parente muçulmano radical do acusador, Sabir Munir Qadri, transformou a briga em problema religioso no qual cristãos poderiam ser sentenciados à morte ou prisão perpétua com uma multa gigantesca.

Ele exortou o governo paquistanês a revogar as leis de blasfêmia imediatamente – 295-A pelo insulto a sentimentos religiosos, 295-B por profanar o Alcorão e 295-C por blasfemar contra Maomé – porque eles várias vezes foram abusados por muçulmanos fanáticos para fazer mal a cristãos.

O caso vem junto de outro, quando em três de março um casal cristão em Kasur foi sentenciado a 25 anos de cadeira sob a seção 295-B por profanar o Alcorão. Ruqqiya Bibi e seu esposo Munir Masih foram presos pela polícia de Mustafabad em Dezembro de 2008. Tahir Gul, um advogado do Centro para o Auxílio Legal e Acordos, alegou, no entanto, que a verdadeira causa dessas acusações foi uma disputa doméstica sem importância.

Em Karachi, um tribunal em 25 de fevereiro sentenciou outro cristão, Qamar David, a 25 anos de cadeira e uma multa de cem mil rúpias (USD 1.170) depois que ele foi condenado indevidamente por enviar mensagens de texto blasfemadoras contra a religião muçulmana em maio de 2006.

Seu advogado, Pervaiz Aslam Chaudhry, disse que a condenação não tinha base legal, pois todas as 16 testemunhas do caso disseram sob juramento que o dono do celular (um muçulmano), e não David, era o verdadeiro culpado.

Qamar não conseguiu fiança por sua prisão desde 2006.

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