Muçulmano Paquistanês Proíbe Enterro em Cemitério Cristão


GUJRANWALA, Paquistão, 1 de abril de 2010 (CDN) – Grileiro muçulmano toma posse de cemitério cristão e previne pessoas de enterrar o corpo de jovem. Um proprietário de terras muçulmano que confiscou um cemitério cristão no Paquistão se recusou a permitir o enterro de uma jovem cristã no local no domingo, dia 28 de março de 2010.

Cristãos da cidade de Noshera Virkan, em Gujranwala, têm apenas um cemitério medindo apenas 10.000 metros quadrados. Essa desvantagem se tornou um pesadelo quando Muhammad Boota, um muçulmano que é dono de grandes extensões de terra na região, proibiu os cristãos de enterrar o corpo da jovem cristã de 25 anos chamada Riaz Masih.

O assistente social Sajjad Masih disse que no meio da disputa, a polícia da cidade de Saddar chegou e ficou do lado do muçulmano Sr. Boota.

“Vocês podem cremar seus mortos, mas não enterrá-los nesse cemitério,“ disse o sub-inspetor auxiliar Asif Cheema aos cristãos enquanto ele os forçava para fora do cemitério, de acordo com Masih.

Os cristãos se dispersaram, e depois foram à delegacia de polícial de Saddar com suas queixas. Ninguém deu bola para eles, disse Masih.

A morte de um jovem é sempre vista como tragédia na cultura paquistanesa.

Masih disse que quando os cristãos não viram outra opção, ele os ajudou a organizar um protesto no dia seguinte; ele e a multidão levaram o corpo ao escritório do oficial de polícia mais importante na cidade, o inspetor geral (DIG) de Gujranwala. Depois de um protesto de duas horas na segunda-feira, 29 de março de 2010, em frente do prédio do DIG, a polícia paquistanesa por sua vez finalmente acompanhou os cristãos dentro do cemitério para permitir o enterro.

“Nós bloqueamos uma estrada e gritamos slogans contra a polícia e Muhammad Boota,” Masih relatou, “e poucas horas depois o DIG nos chamou para dentro. Depois de ouvir as queixas, o DIG assegurou seu apoio e relatou o caso ao superintendente policial, que nos disse que Boota seria preso, e que o sub-inspetor Asif Cheema seria suspenso.”

O superintendente disse que ele também ia mandar prender qualquer um que impedisse os cristãos de enterrar os mortos dentro de seu cemitério.

Nenhuma dessas promessas foi cumprida. O sr. Khalid Gill, organizador-chefe no Punjab da Aliança de Todas as Minorias do Paquistão, disse que Boota não foi preso, nem Cheema suspenso, pois o superintendente havia prometido isso da boca para fora apenas para apaziguar a comunidade cristã.

“É prática bem comum de oficiais do governo de resolver disputas com falsas promessas”, disse Gill.

Gill disse à CDN que Boota havia posto homens armados duas semanas antes do enterro para evitar que os cristãos entrassem no cemitério. O cemitério é cristão há muito tempo, mas em 1997 Boota obteve 1/4 do seu terreno e imediatamente disputou no tribunal pela posse completa, ficando provisoriamente com o controle até que o caso fosse decidido.

Disputas judiciais no Paquistão muitas vezes duram décadas, disse Gill, e o caso ainda está pendente. Ele disse que o muçulmano Boota transformou parte do terreno do cemitério que obteve em um ponto de ônibus e usou outra para sua residência.

Uma fonte local disse à CDN sob condição de anonimato que Boota ainda obteve o apoio de um membro da Assembléia Provincial, o Sr. Chaudhry Khalid Parvaiz Virk. Ele relatou que Virk era parte da Liga Paquistanesa Muçulmana-Nawaz (PML-N), que controla o Punjab.

“Ele estava dando apoio aos grileiros, e o governo provincial não deu a mínima para isso”, disse a fonte.

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