Especialista: “Assassinatos por Honra” de mulheres aumenta no Canadá


Quase cinco mil mulheres e garotas perdem suas vidas – a maior parte nas mãos de familiares – em “assassinatos por honra” ao redor do mundo a cada ano, diz as Nações Unidas. Doze morreram da mesma forma no Canadá na última década, e a frequência está aumentando, diz Amin Muhammad, um psiquiatra da Memorial University na Terra Nova especializado em assassinatos de honra.

“Há varias organizações que não aceitam a idéia de assassinato por honra; eles alegam que é um mito propagado pela mídia ocidental, mas não é verdade,” ele diz. “Assassinatos por honra acontecem, e devemos reconhecê-los pelo que são. O Canadá deve levar isso a sério.”

A polícia de Kingston, Ontário, acredita que o assassinato por honra foi motivo para a morte de três irmãs adolescentes e uma parente mais velha que foram encontrados em um carro submerso no Canal Rideau em Kingston, em 30 de junho de 2010. A mãe, o pai e o irmão das meninas foram presos na quarta-feira sob acusações de homicídio em primeiro grau.

“Em nossa sociedade canadense, nós estimamos os valores culturais de todos que fazem esse país grande, e alguns de nós temos crenças diferentes, valores diferentes, regras diferentes,” disse o chefe de polícia de Kingston Stephen Tanner em uma conferência na quinta-feira. “Certamente, esses indivíduos – em particular, as três adolescentes – eram canadenses que tinham toda a liberdade de expressão e direitos de um cidadão canadense.”

Ele alegou que recebeu um email de um familiar das garotas, sugerindo que assassinatos por honra são a causa de suas mortes.

Nas culturas de tipo tribal e atrasado, assassinatos por honra podem ocorrer quando uma mulher trai o marido enquanto tem um namorado, está maquiada ou usando roupas mais abertas, ou pedindo divórcio, diz Diana Nammi, fundadora do grupo Campanha Internacional contra Assassinatos de Honra, sediado em Londres. Nammi, que vem do Irã, diz que filhos de imigrantes que crescem no Ocidente acham que essas liberdades são garantidas, o que pode gerar confronto com os padrões rígidos de seus pais.

Já no caso em que o homem trai a mulher, não existe um amparo cultural ou religioso que imponha o assassinato do homem. Trata-se portanto de uma prática culturalmente atrasada, bárbara, machista e que é contrária ao padrão legal dos países democráticos ocidentais.

“Quando gente se muda para outro país, eles deixam tudo o que têm, todas as suas posses, para trás. Mas o que eles trazem é no que acreditam, sua cultura, suas tradições, sua religião,” ela diz. “Infelizmente, eles preferem demonstrar a pior parte disso, e o aspecto mais criminoso e pior é o controle (opressivo) sobre as mulheres.”

por Shannon Proudfoot, CANWEST News Service 23 de julho de 2009

Fonte: Star Phoenix

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