A palavra de Deus não é semeada em vão: de bruxo a pastor no Vietnã


Reverendo Paul Ai, o plantador de igrejas

Reverendo Paul Ai, o plantador de igrejas

“Eu cresci em uma família budista no Vietnã”, disse Tran Dinh Ai. “Meu pai era um médico muito bem sucedido, mas estava incomodado com os políticos que tentaram extorquir dinheiro dele”. O pai de Tran Dinh Ai jurou que enviaria seu terceiro filho que nascesse a um templo budista para ser um monge. Aos 14 anos Tran Dinh Ai chegou ao templo budista, mas após um ano de estudo, se desencantou com a “desesperança das doutrinas Budistas”. Procurando uma experiência religiosa mais intensa, ele caminhou para o lado negro. O nome próprio Tran Dihn Ai significa “pare de amar o mundo” em vietnamita. “Eu fui estudar magia negra e me tornei doutor em bruxaria, servindo 3366 deuses”, disse Tran Dinh. “Eles me deram poder mas eu tinha que me submeter ao poder deles. Eles também me fizeram odiar o evangelho cristão”.

Em 1970, em protestos feitos contra a Guerra do Vietnã nos EUA, missionários americanos entraram na cidade de Tran Dinh ao Sul do Vietnã. “Muitas pessoas em minha cidade foram ver os evangelistas e acabaram se convertendo para Cristo.

Alguns de meus alunos de magia negra vieram até mim e disseram: “Mestre, você deve parar esta cruzada evangelizadora cristã, caso contrário, perderemos todos os nossos clientes nesta cidade”, lembra ele. Com uma mistura de raiva e de curiosidade, o bruxo Tran Dinh Ai visitou o local onde os missionários evangelizavam, logo no dia seguinte.

Ele esperava encontrar os missionários realizando “atividades religiosas”, mas ficou surpreso ao encontrá-los cantando, lendo a Bíblia, e anunciando uma simples mensagem de salvação. “Eles disseram: nós não queremos trazer para o Vietnã uma nova religião, pois este peso será difícil de carregar. No entanto, Jesus prometeu que se você carregar o seu fardo pesado, Ele te dará descanso.”

Esta mensagem irritou Tran Dinh Ai, e ele procurou desesperadamente uma maneira de frustrar os esforços cristãos, com medo que os habitantes da cidade não precisassem mais de seus serviços de curandeirimos, cartomancia e bruxaria. Para seu desgosto, muitos em sua cidade encontraram a salvação e ofereceram testemunhos públicos de orações respondidas.

Tran Dinh Ai virou-se para seu exército demoníaco. “Eu chamei mais de 1.000 deuses na primeira noite, mas no final do serviço, percebi os meus deuses não estavam aparecendo para fazer o seu trabalho”, diz ele. “Na noite seguinte, chamei 2000 deuses, mas nada aconteceu.” Ele então voltou para casa para jejuar e orar para o seu 3366 deuses.

“Eu disse que eles teriam que encerrar esta cruzada evangelizadora,” Tran Dinh Ai diz. “Eu rezei para todos os 3366 deuses, mas nenhum deles apareceu.”

De repente, a luz da consciência varreu sua mente. “Percebi que Buda era um homem bom e sábio, mas Buda morreu. Ele nunca prometeu salvar alguém ou ajudar alguém”, diz ele. “Então eu percebi Jesus Cristo é diferente. Ele não só é bom e sábio, ele se elevou e está vivo!” Tran Dinh Ai reconheceu a futilidade de sua trajetória religiosa anterior, ele se rendeu a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.

“Eu entreguei meu coração para o Senhor, e Deus salvou a minha vida, me libertou,” Diz Tran Dinh. Pouco depois, recebeu um novo nome. “Depois que eu fui salvo, disseram-me: ‘Irmão Tran Dinh, havia um homem na Bíblia, exatamente como você. Ele era tão religioso que ele odiava o evangelho e perseguiu a igreja. Seu nome era Saul (Saulo), mas finalmente Deus resgatou sua vida e seu nome foi mudado para Paul (Paulo).”

Tran Dinh Ai aceitou seus conselhos e mudou seu nome para Paul. “Um mês depois, quando li a Bíblia eu pensei comigo mesmo: epa, eles me deram o nome errado. Paulo é um homem que passou de prisão em prisão e eu não quero ficar na prisão como Paulo”. E Deus fez com o reverendo Paul o mesmo que fez com Paulo: Eu mesmo lhe hei de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo meu nome. (Atos 9:1-20).

Apesar das dúvidas do agora cristão Paul Ai (ex-Tran Dihn Ai), o nome ficou. “Eu estava sendo rejeitado pela parte da comunidade que ainda acreditava em bruxarias e estava renegado pela minha própria família, mas a igreja me aceitou e me tornou seu discípulo”, diz ele. A família de Paul Ai o forçou a sair de sua casa.

Olhando para trás, Tran Dinh é grato por sua família tê-lo expulsado, o que proporcionou o impulso para ele frequentar a escola bíblica. Em abril de 1975, apenas dois dias antes dos comunistas tomarem a cidade de Saigon e toda a nação do Vietnã, Paul foi ordenado pastor.

“Em 1975 quando o último soldado americano foi retirado de helicóptero do Vietnã, nós tínhamos boas escolas, bons hospitais, boas fábricas e boas estradas,” Paul diz. “Por causa da presença de soldados norte-americanos, o evangelho foi trazido a nós”, diz ele. O Pastor Paul é grato aos militares americanos que serviram no Vietnã, para abrir as portas do evangelho, permitindo a muitos ver a verdade.

“Mas temos um grande trabalho a fazer com João 3:16”, acrescenta.

O impulso imediato do pastor Paul após a queda de Saigon foi juntar-se a inundação de seus compatriotas fugindo dos comunistas por todos os meios possíveis. “Todos os nossos dirigentes se reuniram para buscar o Senhor, e eles decidiram que era melhor sair do país antes dos comunistas lançarem-nos na prisão”, diz ele. “Então, todos nós decidimos partir em um barco.”

Paul Ai então juntou-se aos refugiados que fugiam como podem do “paraíso comunista” seja em Cuba, Coréia do Norte ou Vietnã naquela época: arranjavam um barco e entravam tantos quanto podiam para uma perigosa travessia por mar até outro país do Sudeste Asiático. Muitos barcos afundaram por superlotação, muitos morreram. Outros eram capturados pelas patrulhas comunistas do Vietnã e os refugiados eram presos em campos de trabalhos forçados. Continua o relato do cristão Paul Ai:

“Mas quando cheguei ao barco o Espírito Santo falou comigo e disse:” O que você está fazendo neste barco? Você quer ser um Jonas? ”

“Foi forte o suficiente para me assustar”, recorda o Pastor Paul. Seus amigos no barco notaram que Paul começou a suar muito.

“Irmão Paul, o que aconteceu com você?” perguntaram. “Eu apenas ouvi a palavra do Senhor”, ele disse.

“Precisamos de uma palavra do Senhor, porque estamos prestes a fazer uma viagem muito perigosa sobre o oceano,” disseram.

“Deus só me perguntou se eu quero ser o Jonas deste barco.” respondeu Paul Ai.

“O quê?”, gritaram os refugiados no barco. “Saia deste barco agora mesmo que nós não queremos ter um Jonas conosco.”

Pastor Paul foi forçado a sair do barco. “Eu fui tão estúpido … eu pensei, eu não devia ter dito isso a eles.” Incerto do que esperar, ele fez o seu caminho de volta para sua igreja. “No dia seguinte, fui preso pelos comunistas e enviado para um campo de trabalhos forçados,” lembra Paul.

Esse foi apenas o início de como os comunistas tentaram reeducá-lo. “O comunismo é uma religião,” ele diz. “Eles competem com outras religiões.”

“Foi terrível”, disse Paul. “Eu digo a vocês americanos, vocês não têm prisões aqui na América, vocês tem hotéis”, diz ele. “Na América, as prisões têm ar condicionado, aquecimento, acesso à Internet e TV a cabo.

“No Vietnã, não havia nada disso,” Paul diz. Ele dormiu no chão de cimento sujo. “Às vezes eles não te dão o que comer, por isso tive de encontrar capim para comer.” Paul e seus companheiros de prisão trabalhavam 10 a 12 horas por dia fazendo trabalho árduo de agricultura: colheita de batata, castanha de caju, e borracha.

Após Paul ser libertado, ele se casou com Ruth Kim-Lan, uma professora antiga da escola secundária. Ela se desencantou com o ensino, após os comunistas “tentarem mudar as mentes das crianças e forçá-las a não acreditar na criação e na evolução”. Sentia o chamado para que ela pudesse “ensinar as crianças sobre Deus e sua criação”.

Apesar da perseguição por parte das autoridades, Paul continuou seus esforços para construir igrejas, construindo 24 novas igrejas de 1988 a 1990. Um dia ele foi apanhado pelas autoridades comunistas e levado para a delegacia, onde foi advertido para parar de construir igrejas.

Paul considerou cuidadosamente suas ameaças, mas tentou explicar que recebeu um chamado de Deus. “Os búfalos foram feitos para arar o campo”, disse-lhes: “o cavalo foi feito para puxar a carroça e o pregador foi feito para pregar o Evangelho”.

Sua resposta deixou os comunistas com muita ravia. “Se você não vai parar, voltará para esses campos de trabalho forçado”, ameaçaram.

“Você faz o seu trabalho e eu faço o meu”, respondeu o pastor Paul. Cerca de um mês depois, Paul foi seguido pela polícia e preso apenas a uma curta distância de sua casa. Ele foi mandado de volta para a prisão, mas desta vez ele levou sua mochila contendo seus itens de higiene pessoal.

A mochila não permaneceria intacta por muito tempo. “Na prisão, os guardas cortavam fora as tiras de mochilas, uma prática comum para evitar que os presos se enforcassem de tanto sofrimento”, Paul acrescenta. “Havia um homem muito agressivo na prisão, que todos chamavam de “Tesoura”. “Ele era um alfaiate e carregava uma tesoura com ele o tempo todo como uma arma. Ele matou muitas pessoas, tanto dentro como fora da prisão.

“Todo mundo na prisão tinha medo dele, incluindo os guardas”, acrescenta. “Ele usou latas de metal e cortou o metal para transformá-lo em um escudo, a fim de evitar que algum outro preso o esfaqueasse até a morte.”

Mas o pastor Paul começou a orar para que Deus aplacasse este homem desesperado. “Eu comecei a compartilhar o amor de Jesus com ele e disse-lhe como Jesus lhe daria paz e seria seu amigo,” Paul lembra. “Como eu continuava a mostrar-lhe a amizade e a graça de Deus, ele entregou seu coração ao Senhor.”

“Como expressão de sua gratidão, ele usou uma de suas camisas para consertar a minha mochila e me fazer um chapéu para me proteger do sol,” disse Paul, sabendo que ao fazer isso, o”Tesoura” violou as regras da prisão. O “Tesoura” me disse: “Se algum guarda da prisão te perguntar onde conseguiu isso, fale que fui eu que te dei e assim ninguém te incomodará”.

O pastor Paul tinha encontrado um protetor incomum no campo. “O Senhor Deus usou o “Tesoura” para que eu tivesse não só a minha mochila consertada mas também um chapéu para me proteger do sol escaldante, mas o “Tesoura” também garantia minha proteção física e muitas outras coisas que eu precisava na prisão.”

As autoridades pensaram que ao colocar Paul na prisão a igreja pararia de crescer, mas eles estavam errados. Para onde quer que eles transferissem o pastor Paul, novas congregaões surgiam mesmo dentro da prisão. Até o final de 1997, a congregação do Pastor Paul tinha mais de 15.000 membros em 175 congregações. Todas essas igrejas eram caseiras, com base no sistema de grupo de células que Paul aprendeu estudando o crescimento da igreja na Coréia, China e outras nações.

Em 1999, o pastor Paul foi preso em Hanói e condenado a uma pena de cinco anos de cadeia. “Eles tentaram me matar, mas Deus usou um ex-funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos que era embaixador junto com a pressão da ONU para ganhar a minha libertação”. As autoridades vietnamitas expulsaram Paul em 1999.

Agora morando na Virgínia (EUA), o foco do pastor Paul está nos imigrantes vietnamitas ao redor do mundo. “Só na Malásia existem 150.000 vietnamitas que trabalham em regime temporário antes de voltar ao Vietnã. Quero evangelizar os vietnamitas no exterior, e discipliná-los para que eles possam voltar para o Vietnã e trazer as boas novas de Jesus Cristo para as suas famílias e comunidades”.

“Algum dia Deus vai abrir o Vietnã exatamente como fez na ex-União Soviética comunista”, diz Pastor Paul. “A igreja cristã está realmente crescendo no Vietnã. O meu trabalho agora é preparar e formar discípulos para esse dia.”

O reverendo Paul Ai tem um pensamento diferenciado sobre como interpretar o trabalho do pastor cristão, segundo Efésios 4:11-13. “Eu enfatizo que o ministério cristão seja feito por equipes de 5 ministros para construir a igreja. Infelizmente nos EUA nós temos apenas um pastor que conduz a congregação. E ele não tem uma equipe, como Deus menciona em Efésios. As congregações de fiéis esperam que o pastor aumente o rebanho de cristãos. Mas o pastor sozinho pouco pode. Todos os fiéis da congregação devem ser treinados na palavra de Deus para evangelizar e converter junto com o pastor. Os pastores devem reconhecer as bênçãos que Deus deu ao corpo de Cristo (a igreja) e equipar os fiéis para fazer o ministério evangelizador para que todos sejam conquistadores de almas para Cristo”. Fica a sugestão do pastor Paul Ai.

“Queremos trazer os fiéis de volta para o Vietnã, não com fuzis M-16, mas com João 3:16”, diz ele. “Muitos de nós ainda estão sob o comunismo, mas já podemos sentir a liberdade no Senhor que vem chegando. Podemos ter alegria e esperança no Senhor.” Veja o website da Vietnam Outreach International, dirigida pelo pastor Paul e sua esposa Ruth.

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