Reflexão para Líderes Cristãos: três métodos para anestesiar sua consciência


Em outro artigo da série “Reflexão para Pastores: ele quer ouvir da tua boca”, vimos que o meio certo e o meio errado são conceitos perigosos para a vida de qualquer pessoa. O meio certo e o meio errado anestesiam nossa consciência sobre os atos errados que cometemos e assim evita que nós reflitamos a respeito e peçamos perdão pelos nossos pecados perante Deus. Existem também outros modos com os quais nós anestesiamos nossas consciências:

Mude de nome e anestesie sua consciência

E na nossa falta de ética e moral, temos uma ferramenta que usamos muito. Tendemos a mudar os nomes dos nossos atos errados. Para anestesiar nossa consciência. Exemplos:

Não roubamos, não somos ladrões. Só desviamos dinheiro público. Soa bem nas manchetes: “Grande esquema de desvio do dinheiro público promovido por ministros do governo (= Mensalão)”. A gente não rouba. A gente desvia, é diferente. Fica até elegante. Qual sua atividade? Eu desvio dinheiro público. A manchete correta seria: “Ministros ladrões do povo brasileiro cometem vários tipos de crime, atos antiéticos e imorais e continuam soltos e circulando pelo governo 5 anos depois”.

Não somos traiçoeiros, palavra muito feia e pesada para que nós nos chamemos a nós mesmos disso…vamos mudar para “pulada de muro” para enganar nossa consciência. Traição é grave, mas pulada de muro é até divertido e atlético!

Não adulterei, não sou adúltero por que ser adúltero é errado e grave! Apenas dei uma “escapada” na boa.

Além dessa troca de nomes com a qual evitamos que nossa consciência e outras pessoas nos chamem de ladrões, traiçoeiros, adúlteros, antiéticos, imorais e mentirosos, por exemplo, outra maneira de enganar nossa consciência é diminuir tudo.

Que pecadinho pequenininho, uma gracinha! E anestesie sua consciência.

Normalmente usamos o diminutivo para dar graça e inocência a alguma pessoa, objeto ou ato. O diminutivo é associado às crianças e sua a sua inocência e portanto a atos sem culpa ou consequências graves: Maria é uma gracinha, Wilson é espertinho e o cachorrinho é fofinho. Que florzinha bonitinha. O peixinho é amarelinho, que lindinho. Que lindo! Que inocente! Que amor!

Até aí tudo bem. Mas nós malandramente começamos a aplicar esses diminutivos em atos que cometemos e que são atos graves, errados, feios, repugnantes e malignos. Por que aí diminuímos nossa sensação de culpa e também anestesiamos nossa consciência. Tudo fica uma gracinha!

Damos nossas “enganadinhas”, fazemos nossas trapaçazinhas… tudo no diminutivo, por que…veja só…é coisa sem importância como se fosse coisa de criança e erro infantil sem maiores consequências. Um roubozinho, uma enganadinha, uma trapaçazinha e uma escapadinha rapidinha.  Coisa sem importância, né.

É até engraçado! Até contamos piadas depois sobre quem plantamos o chifre sobre quem levamos vantagem em tudo, certo! Viramos heróis entre os amigos! Que cara esperto! Que barato! Isso é coisa pequena, tão pequeno errinho que Deus não vai ligar! Deus vai olhar para nós, botar a mão no nosso ombro e dizer como muitos pais fazem com seus filhos: “Pode fazer o que quiser desde que sejam errinhos pequenininhos e tudo bem Eu faço de conta que não estou vendo. Tá liberado, meu filhinho!”.

Jogue a culpa nos outros e anestesia sua consciência

Como se não bastassem esses dois métodos, a troca de nomes e o uso de diminutivos para tentar reduzir a gravidade dos nossos erros, tem mais um método: jogue a culpa nos outros! Exemplos:

  • Eu cheguei em casa bêbado e dei uma surra na minha esposa. Mas foi sem querer. Foi por que eu estava desempregado e isso me deixou nervoso!
  • Eu acabei tendo um caso no meu trabalho. Mas eu não aguentava mais a tensão, foi só para descontrair.
  • Eu sacaneei com meu colega de trabalho para conseguir aquela promoção. Mas é que estou precisando muito de dinheiro.

E muitos outros exemplos. Todos iguais: a culpa é dos outros! Do colega, do trabalho, do dinheiro. Eu não tenho culpa, eu não queria errar, eu fiz sem querer, eu estava sendo desprezado, eu estava sendo traído, eu nunca tinha sido promovido, eu estava desempregado…e por causa disso eu: traí, trapaceei, bebi, surrei e cometi pecados. Mas eu não tenho culpa! Se não tenho culpa, então não errei. Se não errei, para que pedir perdão…

Deus nos ensina que um erro não justifica o outro. Ao invés de entrar no círculo vicioso de errar por que outros erraram conosco, vamos promover o círculo virtuoso de agir corretamente MESMO que outros errem conosco.

Mas…por que agimos assim?

Centenas de milhares de psicólogos escreveram, estão escrevendo ou escreverão artigos, estudos, e pesquisas sobre por que usamos essas três ferramentas para evitar assumir a culpa pelos nossos erros. Mas isso não é o nosso foco aqui.

Não sou psicólogo, mas temente a Deus. E, portanto, tento explicar as razões segundo a ótica cristã. É simples:

  1. Camuflamos nossos erros para evitar de nos sentirmos culpados
  2. Se não nos sentimos culpados, não temos motivos para pedir perdão pelo erro que cometemos
  3. Se não pedimos perdão pelos nossos erros, estamos em pecado perante Deus

A quem interessa que nós continuemos em pecado perante Deus? Vocês sabem a resposta. Por isso para ele interessa que nós anestesiemos nossas mentes. E por isso, devemos sempre estar alertas e reagir contra essa anestesia de nossas consciências. Vai contra Deus, que quer escutar das nossas bocas o nosso pedido de perdão para salvar nossos espíritos.

Anestesiar a consciência resolve?

Então é essa a tendência que temos, de diminuir nossos erros ou chamá-los de outros nomes. E depois vamos orar no culto semanal com nossas famílias sem ao menos ficarmos vermelhos de vergonha perante nossos irmãos da congregação e diante de Deus. E a gente se olha no espelho e acha que estamos bem. Afinal, não erramos em nada. E se erramos foi por culpa dos outros.

Mas Deus não é trouxa e o que Ele diz é:  Não existe errado que seja certo. Não existe mentira que seja inocente. Não existe roubo mais ético por que é pequeno. Não existe traição mais moral por que foi rapidinha e a gente nem gostava da pessoa, foi só pelo sexo mesmo, só para descarregar o tesão.

NÂO! E ponto final. Não tem “meio não” ou “quase sim” ou “a culpa foi dos outros”. Você pode estar na pior fase de tua vida profissioinal ou de teu casamento: se fez algo de errado, é errado. Nada justifica. É errado. É imoral. É antiético. É traiçoeiro. É maldade. Não adianta mudar teu erro de nome para camuflar e esconder de você mesmo. Você deve pedir perdão a Deus e a quem ofendeu com seu ato. Pedindo perdão, você se afasta do inimigo e se aproxima de Deus. E isso é ótimo!

Tenha certeza que Deus não é trouxa. E quem pensa que faz Deus de trouxa está realmente com um destino negro pela frente. Saia dessa vida por que a vitória nunca será sua. Venha para o time dos vitoriosos da fé em Cristo.

Reflita a respeito, irmão

Pense a respeito. Todos nós erramos. Mas já que Deus é tão grande, tão amoroso que nos perdoa até os nossos pecados mais graves, para que então anestesiar nossas consciências e continuar a viver como se nada tivéssemos feito de errado?

Irmãos: cada passo errado nosso faz avançar o trabalho do inimigo de Deus. É isso que nós queremos? Que o inimigo de Deus avance através de nossos atos? Que através de nossos atos ele penetre em nossas vidas, nossas famílias? Claro que não queremos isso.

Então chega de mentirinhas, escapadinhas. Chega de nos dizermos intimamente que não adulteramos, mas só demos uma pulada de muro. Que não roubamos, mas apenas desviamos dinheiro público. Essa autoenganação nos leva direto ao mau caminho e não é isso que nós queremos. Assuma de frente e corajosamente os erros que cometeu.

Pare de tentar tapar o sol com a peneira. Pare de se autoanestesiar com esses três métodos. Assuma dignamente seus erros grandes e pequenos. Não existe ato mais grandioso perante Deus do que quando nós nos conscientizamos dos nossos erros.

Peça perdão por eles e prometa para si mesmo e para Deus que não os cometerá de novo. Afinal, pedir desculpa e depois errar de novo não funciona perante Deus. Aja a respeito, reviva sua consciência adormecida e anestesiada. Você verá como se sentirá mais leve ao andar no caminho da justiça, desfrutando do amor e do respeito de todos em sua volta.

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