Alguns mitos sobre as Cruzadas


Cruzadas: reação contra invasões muçulmanas

Cruzadas: reação contra invasões muçulmanas

Ensinaram você na escola que as Cruzadas são uma mancha negra na História da Civilização Ocidental Cristã em geral, e da Igreja Católica em particular? Disseram-lhe que os cristãos devem se envergonhar pelas Cruzadas? Conceito obsoleto…e não é verdade. É o que dizem respeitados historiadores modernos. O responsável por essa visão distorcida chama-se Sir Steven Runciman. Citadas por ambas as partes no conflito entre os Estados Unidos e os terroristas árabes, as Cruzadas voltaram aos noticiários, aos filmes e às séries de televisão. Propalam-se velhos mitos e reacendem-se discussões. Um bom exame da História das Cruzadas é, portanto, indispensável. Leia, atualize-se. Circule esta informação para seus amigos.

Dizem que o Presidente George W. Bush foi infeliz quando chamou a guerra contra o terrorismo de “Cruzada”, tendo recebido inúmeras críticas por empregar uma palavra que seria tão ferina e ofensiva para com os muçulmanos de todo o mundo. No entanto, os próprios árabes também fazem uso desse termo. Osama bin Laden e o mulá Omar com freqüência chamaram os norte-americanos de “cruzados”, e qualificaram os atuais conflitos como uma “Cruzada contra o Islã”. De fato, as Cruzadas estão bem presentes na memória do mundo muçulmano.

O Ocidente, por sua vez, também não esqueceu as Cruzadas. Qualquer um que queira intimidar os católicos não demorará a jogar-lhes no rosto as Cruzadas e a Inquisição. As Cruzadas são com freqüência apresentadas como um exemplo clássico do mal que pode ser feito por uma religião organizada. O homem médio, tanto no Cairo como em Nova York, tende a concordar com a idéia de que as Cruzadas foram um ataque não-provocado, cínico e insidioso, promovido por fanáticos contra o pacífico, próspero e sofisticado mundo muçulmano da época. Mentira que é usada por radicais muçulmanos…e ignorância da verdade histórica.

A visão histórica das Cruzadas

Isso não foi sempre assim. Na Idade Média, não havia cristão na Europa que não tivesse certeza de que as Cruzadas eram sumamente boas e justas. Os próprios muçulmanos respeitavam os ideais das Cruzadas e a nobreza dos homens que nelas lutavam.

As coisas começaram a mudar com a Reforma Protestante. Para Martinho Lutero – que já havia rejeitado a autoridade do Papa e a doutrina sobre as indulgências – as Cruzadas não passavam de manobras de um papado sedento de poder. Chegava a afirmar que lutar contra os muçulmanos equivalia a lutar contra o próprio Cristo, pois Ele tinha enviado os turcos para punir a Cristandade pelos seus pecados. Quando o sultão Suleiman o Magnífico (1495?-1566) começou a invadir a Áustria com os exércitos otomanos, Lutero mudou de opinião sobre a necessidade de lutar, mas manteve-se firme em suas críticas às Cruzadas.

Ao longo dos duzentos anos seguintes, as pessoas tendiam a ver as Cruzadas com olhos confessionais: os protestantes lançavam-lhes vitupérios e os católicos, elogios. Quanto a Suleiman e seus sucessores, ambos concordavam: queriam livrar-se delas.

A visão atual das Cruzadas

A atual visão a respeito das Cruzadas nasceu do Iluminismo do século XVIII. Muitos dos então chamados “filósofos”, como Voltaire, pensavam que a Cristandade medieval fora apenas uma vil superstição. Para eles as Cruzadas foram uma migração de bárbaros devida ao fanatismo, à ganância e à luxúria. A partir desse momento, a versão iluminista sobre as Cruzadas entrou e saiu de moda algumas vezes. As Cruzadas receberam boa imprensa e foram consideradas como guerras de nobreza (mas estranhamente, não de religião!) durante o Romantismo e até o início do século XX.

Depois da Segunda Guerra, contudo, a opinião geral voltou-se decisivamente contra as Cruzadas. Na esteira de Hitler, Mussolini e Stalin, os historiadores concluíram que a guerra por motivos ideológicos – seja qual for a ideologia em questão – é abominável.

Esse sentimento de aversão foi resumido por Steven Runciman nos três volumes do seu livro A History of the Crusades (Uma História das Cruzadas, 1951-1954). Para Runciman, as Cruzadas foram atos de intolerância moralmente repugnantes praticados em nome de Deus. Os homens medievais que brandiam a cruz e marchavam rumo ao Oriente Médio eram ou perversos cínicos, ou avarentos vorazes, ou crédulos ingênuos. Esse livro, aliás literariamente bem escrito, tornou-se logo o padrão: com esse único golpe, Runciman conseguiu definir a moderna visão popular sobre as Cruzadas.

Quem foi Steven Runciman

Um homem de grande inteligência, falava inúmeros idiomas entre os quais o árabe,  turco, grego, persa, assírio e armênio. Era também um entusiasta do ocultismo…seu livro sobre as Cruzadas foi baseado em pesquisas efetuadas quando ele era professor de história Bizantina na Universidade de Istambul (Turquia) entre 1942 e 1945. Esse homem foi denominado “A Ponte para o Oriente” pelos seus adeptos ou seja, de suas visões particulares o ocidente cristão extraiu essa visão distorcida do que foram as Cruzadas.

Steven Runciman: visão distorcida das Cruzadas

Steven Runciman: visão distorcida das Cruzadas

A partir dessa visão parcial de  Runciman, é que hoje vemos os cristãos com o sentimento de “culpa” por terem promovido as Cruzadas, dando assim razão à retórica dos muçulmanos radicais que nos culpam por toda sorte de crimes cometidos durante essas guerras, quando na verdade os verdadeiros invasores foram eles a partir do ano 635DC (conquista da Síria cristã).

Eles massacraram os cristãos primeiro

A violenta Jihad muçulmana é que causou as Cruzadas

O mundo se modernizou e com a facilidade de comunicações, não precisamos mais depender exclusivamente desse historiador excêntrico  que “tocava duetos de piano (imaginários) com o último imperador da China, lia cartas de tarô e costumava jogar em Las Vegas”, segundo o historiador Andrew Robinson da Universidade de Eton.

Correções dessa visão distorcida de Runciman sobre as Cruzadas

Não se pode desmerecer toda a obra de Runciman. Mas hoje não temos apenas uma ponte chamada Runciman. Temos várias pontes, outras fontes, outras pesquisas  e historiadores.

A partir de 1970, as Cruzadas receberam a atenção de centenas de pesquisadores, que as esquadrinharam meticulosamente. Como resultado, sabemos hoje muito mais a respeito das guerras santas da Cristandade do que jamais soubemos. Contudo, os frutos de décadas de pesquisa histórica só lentamente vão penetrando nas mentes do grande público. Isso se deve em parte aos próprios historiadores profissionais, sempre propensos a publicar estudos que pela sua própria natureza exigem uma linguagem muito técnica, de difícil compreensão para quem não é especialista.

Contribui também para essa situação a clara relutância das elites contemporâneas em abandonar a visão “runcimaniana” das Cruzadas. Sendo assim, os livros populares sobre o tema – livros que as pessoas continuam querendo ler, apesar de tudo – tendem a repetir a conversa facciosa de Runciman.

O mesmo vale para as outras mídias, como o cinema e a televisão.

O documentário As Cruzadas: cristãos malvados, muçulmanos bonzinhos e refinados…falsificação dos depoimentos dos historiadores

Um exemplo é o documentário As Cruzadas, uma produção da BBC/A&E de 1995, estrelada por Terry Jones. Para dar um certo ar de autoridade ao que mostravam, os produtores intercalaram as cenas com entrevistas a importantes historiadores das Cruzadas, que expressavam suas opiniões sobre cada evento retratado.

O problema é que os historiadores de hoje discordam das idéias de Runciman. Mas os produtores não se importaram com isso: simplesmente editaram as gravações das entrevistas, selecionando fragmentos e seqüências que, uma vez montados, davam a impressão de que os historiadores concordavam com Runciman.

Um deles, o Dr. Jonathan Riley-Smith, veio dizer depois, num tom irado: “Eles me mostraram dizendo coisas nas quais eu não acredito!”. O professor Riley-Smith da Universidade de Cambridge é considerado o maior historiador vivo sobre as Cruzadas.

Professor Jonathan Riley-Smith: distorceram sua entrevista

Professor Jonathan Riley-Smith: mudaram o que ele falou

Mas afinal, qual é a verdadeira história das Cruzadas? Como o leitor pode imaginar, trata se de uma longa história. Mas existem muitos bons historiadores que ao longo dos últimos vinte anos vêm colocando as coisas no seu devido lugar.

Por agora, tendo em vista o bombardeio que as Cruzadas vêm recebendo atualmente, o melhor será esclarecer justamente o que as Cruzadas não foram. Enumeramos a seguir alguns dos mitos mais comuns, dizendo por que eles são falsos.

Mito nº 1: As Cruzadas foram guerras contra um pacífico mundo muçulmano que nada fizera contra o Ocidente.

Não há nada de mais falso. Desde os tempos de Maomé, os muçulmanos lançaram-se à conquista do mundo cristão. E fizeram um ótimo trabalho: após poucos séculos de incessantes conquistas, os exércitos muçulmanos tomaram todo o norte da África, o Oriente Médio, a Ásia Menor e a maior parte da Península Ibérica. Em outras palavras: ao findar o século XI, as forças islâmicas já haviam capturado dois terços do mundo cristão. A Palestina, terra de Jesus Cristo; o Egito, berço do monaquismo cristão; a Ásia Menor, onde São Paulo estabeleceu as primeiras comunidades cristãs. Não conquistaram a periferia da Cristandade, mas o seu núcleo. E os impérios muçulmanos não pararam por aí: continuaram pressionando pelo leste em direção a Constantinopla, até que finalmente a tomaram e invadiram a própria Europa.

Se uma agressão não-provocada existiu, foi a muçulmana. Chegou-se a um ponto em que só restava à Cristandade defender-se ou simplesmente sucumbir à conquista muçulmana. A Primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II em 1095 para atender aos apelos urgentes do Imperador bizantino de Constantinopla, Aleixo I Comneno (1081-1118). Urbano convocou os cavaleiros cristãos para irem em socorro dos seus irmãos do Leste. Foi uma obra de misericórdia: livrar os cristãos do Oriente de seus conquistadores muçulmanos. Em outras palavras, as Cruzadas foram desde o início uma guerra defensiva. Toda a história das Cruzadas do Ocidente foi a história de uma resposta à agressão muçulmana.

Mito nº 2: Os Cruzados traziam o símbolo da Cruz, mas o que realmente queriam eram as pilhagens e as terras. As intenções piedosas não passavam de máscara para encobrir a ganância e cobiça.

Uma opinião comum entre os historiadores é a de que o aumento da população na Europa originou uma crise, devida ao excesso de “segundos filhos” de nobres, treinados nas artes bélicas de cavalaria, mas sem terras ou feudos onde se estabelecer. Por esse motivo, as Cruzadas seriam uma válvula de escape, mandando esses homens belicosos para longe da Europa, onde pudessem obter terras para si à custa dos outros. Os pesquisadores atuais, graças à ajuda de bancos de dados computadorizados, desmontaram esse mito. Hoje sabemos que os “primeiros filhos” da Europa foram os que responderam ao apelo do Papa em 1095, e também nas Cruzadas seguintes.

Empreender uma Cruzada era uma operação extremamente cara. Os Senhores tiveram que hipotecar suas terras para angariar os fundos necessários. Além do mais, não estavam interessados em reinos no além-mar. Como os soldados de hoje, o Cruzado medieval orgulhava se de estar cumprindo o seu dever, mas queria voltar para casa. Após o espetacular sucesso da Primeira Cruzada, com Jerusalém e grande parte da Palestina em seu poder, quase todos os Cruzados voltaram. Somente um pequeno grupo ficou para consolidar e governar os territórios recém-conquistados. Foram raras as pilhagens. Embora de fato sonhassem com as grandes riquezas das cidades do Oriente, praticamente nenhum Cruzado conseguiu recuperar os seus gastos. Mas não foram nem o dinheiro nem as terras o principal motivo que os levaram às Cruzadas: o que queriam era fazer penitência pelos seus pecados e merecer a própria salvação fazendo boas obras em terras distantes.

Mito nº 3: Quando os Cruzados tomaram Jerusalém em 1099, massacraram todos os homens, mulheres e crianças, enchendo as ruas de sangue até os tornozelos.

Esse é o modo preferido de pôr em evidência o caráter malévolo das Cruzadas. Num recente discurso em Georgetown, o ex-presidente Bill Clinton disse que esse foi um dos motivos pelos quais agora os Estados Unidos são alvo de terroristas (embora no citado discurso o Sr. Clinton tenha subido o nível do sangue até a altura dos joelhos, para dar mais ênfase). É certamente verdade que muita gente morreu em Jerusalém após a tomada da cidade pelos Cruzados. Mas o fato deve ser analisado no seu contexto histórico.

O costume vigente em todas as civilizações pré-modernas, tanto na Europa quanto na Ásia, era que se uma cidade resistisse à captura e fosse tomada pela força, sua posse caberia às forças vitoriosas. Isso incluía não somente os edifícios e os bens, mas também as pessoas. Por isso, cada cidade ou fortaleza devia pensar muito bem se podia ou não resistir a um cerco: se não pudesse, o mais prudente era negociar os termos da rendição. No caso de Jerusalém, seus defensores resistiram até o último instante. Calcularam que as imponentes muralhas da cidade conteriam os Cruzados até chegarem os reforços do Egito. Eles erraram: a cidade caiu e conseqüentemente foi saqueada. Muitos morreram, mas outros muitos foram aprisionados ou deixados livres para partir. Pelos padrões modernos, isso talvez pareça brutal, mas até mesmo um cavaleiro medieval poderia replicar dizendo que nos bombardeios modernos morrem mais inocentes – homens, mulheres e crianças – do que seria possível passar ao fio da espada em um ou dois dias.

Convém lembrar também que nas cidades muçulmanas que se renderam aos Cruzados, as pessoas foram deixadas em paz, na posse das suas propriedades, e com permissão para praticar livremente a sua religião. Quanto às ruas cheias de sangue, nenhum historiador aceita isso: não passa de um mero recurso literário. Jerusalém é uma cidade grande, e a quantidade de pessoas que seria necessário abater para inundar as ruas com dez centímetros de sangue é muito superior à população de toda a região.

Mito nº 4: As Cruzadas não passaram de colonialismo medieval enfeitado com ornamentos religiosos.

É importante lembrar que, na Idade Média, o Ocidente não era uma cultura poderosa e dominante, que se lançava sobre uma região primitiva ou atrasada. Era o Oriente muçulmano que era poderoso, próspero e opulento. A Europa era o terceiro mundo. O Reino Latino de Jerusalém, fundado após a Primeira Cruzada, não era um latifúndio católico incrustado em terras muçulmanas, como depois viriam a ser as terras de plantio em algumas colônias ibéricas ou inglesas na América. A presença católica nesse Reino sempre foi mínima: menos de um décimo da população. Católicos eram os governantes, os juízes, alguns mercadores italianos e os membros das ordens militares: o resto, a imensa maioria da população, era de muçulmanos. O Reino de Jerusalém não era uma colônia agrícola nem industrial, como depois viriam ser as da América ou da Índia: era apenas uma cabeça-de-ponte fortificada.

A intenção primordial dos Cruzados era defender os Lugares Santos na Palestina – principalmente Jerusalém – e garantir um ambiente seguro para que os peregrinos cristãos pudessem visitá-los. Nenhum país europeu funcionava como metrópole, no sentido de manter relações de exploração econômica, nem havia na Europa quem se beneficiasse economicamente com a ocupação. Muito pelo contrário: as despesas das Cruzadas e da manutenção do Reino Latino de Jerusalém ceifaram pesadamente os recursos europeus. Como posto avançado, o Reino de Jerusalém manteve-se sempre atento ao seu papel militar. Enquanto os muçulmanos guerrearam entre si o Reino esteve a salvo, mas quando se uniram, conseguiram conquistar as fortalezas, capturar as cidades e em 1291 expulsar os cristãos definitivamente.

Mito nº 5: As Cruzadas combateram também os judeus.

Nenhum Papa jamais conclamou uma Cruzada contra os judeus. Durante a Primeira Cruzada, um grande bando de arruaceiros – que não fazia parte do exército principal – decidiu atacar as cidades da Renânia para matar e roubar os judeus dali. As razões para esse ato foram por um lado a pura cobiça, e por outro a falsa crença de que os judeus, por terem matado Jesus Cristo, eram também alvos legítimos das Cruzadas. O Papa Urbano II e os seus sucessores condenaram energicamente esses ataques, e os bispos locais – juntamente com o clero e os leigos – fizeram o que podiam para defender os judeus, embora com pouco sucesso. Algo parecido ocorreu na fase inicial da Segunda Cruzada, quando um grupo de renegados matou muitos judeus na Alemanha, até que São Bernardo os apanhou e pôs um fim a isso.

Essas falhas foram um infeliz subproduto do entusiasmo pelas Cruzadas, mas nunca o seu objetivo. Para usar uma analogia moderna: durante a Segunda Guerra Mundial alguns soldados cometeram crimes quando estavam em outros países (pelos quais, aliás, foram presos e punidos), mas isso não justifica dizer que o objetivo da Segunda Guerra foi o de cometer crimes.

Mito nº 6: As Cruzadas foram algo tão vil e degenerado que houve até uma Cruzada das Crianças.

A chamada “Cruzada das Crianças” de 1212 nem foi uma Cruzada nem consistiu num exército de crianças. Foi uma onda de entusiasmo religioso especialmente prolongada na Alemanha que levou alguns jovens – na maior parte adolescentes – a se autoproclamarem Cruzados e começarem a marchar rumo ao Mediterrâneo. Ao longo do caminho foram recebendo grande apoio popular, e a companhia de não poucos bandoleiros, ladrões e mendigos. O movimento se desmembrou quando chegou à Itália e terminou quando o mar se recusou a abrir-se para dar-lhes passagem… O Papa Inocêncio III não convocou essa tal “Cruzada”, pelo contrário: pediu insistentemente para que os não combatentes ficassem em casa e apoiassem o esforço de guerra apenas com jejuns, orações e esmolas. Nesse episódio, depois de louvar o zelo e a disposição desses jovens que tinham marchado até tão longe, mandou-os de volta para casa.

Mito nº 7: O Papa João Paulo II pediu perdão pelas Cruzadas.

É um mito curioso, porque João Paulo II – que já havia pedido perdão por todas as injustiças que os cristãos cometeram ao longo dos séculos – foi muito criticado justamente por não ter pedido perdão expressamente pelas Cruzadas. É verdade que João Paulo II pediu perdão aos gregos pelo saque de Constantinopla em 1204, durante a Quarta Cruzada, mas o Papa da época, Inocêncio III, também já tinha manifestado o seu pesar a respeito desse trágico incidente. Da sua parte, Inocêncio III fizera tudo para evitar que isso acontecesse.

Mito nº 8: Os muçulmanos, que conservam uma viva lembrança das Cruzadas, têm toda a razão em odiar o Ocidente.

De fato, o mundo muçulmano tem uma lembrança das Cruzadas tão boa quanto a do Ocidente, ou seja, uma lembrança incorreta. Isso não deve surpreender-nos, pois os muçulmanos obtêm a sua imagem das Cruzadas através mesmas histórias mal contadas que o Ocidente. O mundo muçulmano costuma celebrar as Cruzadas como uma grande vitória sua (aliás, eles venceram mesmo). Mas os autores ocidentais, envergonhados do seu passado imperialista, inverteram os papéis e passaram a pintar as Cruzadas como uma agressão e os muçulmanos como pacíficos sofredores agredidos. Fazendo isso, simplesmente omitiram os séculos de triunfos muçulmanos, e em seu lugar colocaram apenas o consolo do vitimismo.

Thomas F. Madden
Diretor do Departamento de História da Universidade de Saint Louis. É autor do livro A Concise History of the Crusades (Uma História concisa das Cruzadas) e co autor do livro The Fourth Crusade (A Quarta Cruzada).

Fonte: Ignatius Insight
Link:
http://www.ignatiusinsight.com
Tradução: Quadrante

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A Quinta Ferramenta
As Cruzadas: resposta contra as invasões muçulmanas

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12 Respostas

  1. […] Alguns mitos sobre as Cruzadas […]

  2. Faltaram ao artigo provas históricas que comprovem o argumento do articulista.
    Em cada afirmação, que o autor sempre assevera como fato ocorrido, apenas um “entretanto” é adicionado como para diluir a gravidade do ocorrido. Ou seja, o fim justificou o meio.
    Desculpe, mas parece piada de mau gosto.

    Abraços,

    • Obrigado Adriano por seu comentário. Respeitamos sua opinião, mas discordamos que não existem provas históricas. Provas históricas existem aos montes. A gravidade do ocorrido foram 1.300 anos de invasões, opressão, perseguição e morte causadas pelos muçulmanos desde 635DC, portanto alguns séculos antes da primeira Cruzada. Essa verdade histórica é absolutamente clara nas fontes tanto cristãs como muçulmanas. Historiadores de renome em centros de pesquisa sérios como a Universidade de Cambridge e Pennsylvania e outros já publicaram muitos livros a respeito.

      Nós temos uma visão eurocêntrica de que Roma era o centro do cristianismo. Não é verdade. Durante mil anos, o centro do cristianismo em seu esplendor, trabalho missionário (até na China, Pérsia, Indonésia, India, Afeganistão…) foram as igrejas orientais. Como disse o historiador Philip Jenkins: naquele tempo a Europa e a igreja de Roma era o Terceiro Mundo, algo marginal e sem importãncia. O latim era idioma de bárbaros e a grande maioria das dezenas de milhões de cristãos orava em siríaco. Dá para imaginar a grande catástrofe quando toda essa igreja oriental em suas variações (Nestorianos, Jacobitas, etc.) caiu sob dominio do invasor árabe-muçulmano. Foi gravíssimo. Seria hoje em dia como se colocassem um mulá muçulmano sentado no trono do papa e colocassem minaretes na igreja onde Lutero divulgou suas teses de origem do protestantismo. Independente de querelas teológicas entre as denominações cristãs de hoje, seria um fato da maior gravidade na história da humanidade.

      A comunidade cristã de hoje precisa sair dessa visão eurocêntrica estreita e compreender através de fatos históricos o que está em jogo hoje, entre as duas maiores religiões do mundo.

      As Cruzadas: resposta contra as invasões muçulmanas
      A Quinta Ferramenta

      Note bem: estamos falando das Cruzadas cristãs em resposta à ocupação muçulmana de vastas regiões cristãs, incluindo a Palestina, Síria, Iraque, Egito e todo o Norte da África, além da Espanha, Sicília, Grécia, Império Bizantino, os Bálcãs, Hungria, Bulgária e parte da França. Não falamos das assim chamadas cruzadas contra os protestantes. Mesmo Martinho Lutero, que foi contra todas as Cruzadas (mesmo aquelas contra os muçulmanos), mudou de idéia quando do primeiro ataque muçullmano contra Viena. Ele notou: uma coisa eram as guerras entre cristãos, a outra de muito maior dimensão eram as invasões dos muçulmanos.

      O momento é de união dentro das diferenças. Leia o artigo A Quinta Ferramenta, notará que o erro “fatal” da grande igreja oriental foi apoiar os invasores arabes-muçulmanos contra as tentativas de recuperação do território efetuadas pelo Império cristão Bizantino. Fizeram isso por causa de diferenças teológicas que tinham contra a igreja de Constantinopla. Optaram por apoiar aqueles que viriam a destruí-los num dos maiores Holocaustos da história humana em 1.300 anos de história. Hoje o resultado está aí: a igreja cristã oriental está completamente aniquilada em todo o oriente cristão e nos seus últimos capítulos de vida no Iraque.

      Não estamos dizendo que os princípios teológicos de católicos, protestantes, nestorianos, siríacos, jacobitas estão certos ou errados. Deixamos isso para os teólogos, e alertamos a comunidade cristã: não cometamos de novo o mesmo erro fatal cometido pelas igrejas orientais. Aprendamos com a história. O desafio que se aproxima dos ex-territórios cristãos do oriente é muitissimo maior que isso.

      Recomendo que leia os artigos acima. Um abraço e seja sempre bem vindo no nosso site.

  3. Olá irmãos.

    Eu não disse que não existem “provas”. Disse que o articulista não apresentou nenhuma que comprovasse seu argumento. Concorda?

    E da mesma forma, em sua réplica, vocês repetem a receita: “1300 anos de perseguição, morte (…) antes da primeira cruzada”. Logo, seguindo este pensamento, a cruzada é a resposta justificável.

    Mas desde quando existe perseguição a Igreja? Desde Estevão? ou o próprio Cristo? Ou talvez desde a matança dos pequeninos deflagrada por Herodes.
    A igreja de Jesus SEMPRE foi perseguida. A resposta prática dos irmãos da comunidade primitiva, contudo, não foi a luta armada… Mesmo Jesus, quando em cerco, ordena a Pedro que guarde sua espada na bainha.
    Não é possível ver as cruzadas alinhadas com a prática do evangelho, mesmo se você preferir não discutir a teologia por trás da prática.

    E por fim, afirmar que Lutero tenha mudado de idéia, não significa muita coisa. Ele também mudou de idéia quanto aos Judeus em “Sobre os Judeus e suas mentiras”. Isto valida seu ponto de vista? =)

    E, eu conheço a igreja do Oriente. Ela continua viva, firme e resistente, mesmo na adversidade.
    Também sei muito bem do perigo do crescimento da cosmovisão islâmica. Mas combater isto justificando o indefensável torna-nos pior do que os que combatemos.

    Abraços,

    • Olá irmão Adriano,

      Nem foi dito que as Cruzadas são práticas do evangelho! Por fim as cruzadas duraram 200 anos e a jihad muçullmana já dura 1.300 anos, como é notório. E não se trata de combater justificando o indefensável, mas sim esclarecer que o cristianismo como um todo não deve se sentir minimizado pelos ataques dos radicais muçulmanos por causa das cruzadas. Elas foram reação, e não ação. No mundo ocidental, esqueceu-se ou dizem que é politicamente incorreto mencionar sobre a guerra de agressão muçulmana contra os cristãos. Mas no mundo muçulmano, a demonização do cristianismo é diária. Eu já vi debates entre teólogos cristãos e muçulmanos, quando o muçulmano acusa os cristãos com o ‘crime’ das cruzadas, o cristão fica calado e sem ação. Está desinformado. E esse artigo visa informar.

      Mesmo por isso, não dizemos em nenhum momento que cristãos devem pegar em armas para lutar com muçulmanos. Isso é contra os ensinamentos de Cristo. Por outro lado, não podemos condenar os Cruzados: Não podemos julgar, nossas mentes são moldadas pelo século XXI e não pelo século XII. Apenas dizemos: levante a cabeça. Se erramos, eles também erraram e muito e gravemente e por mais tempo até os nossos dias.

      Principalmente, se nós cristãos já pedimos perdão por esse erro, estamos na espera que as autoridades religiosas muçulmanas apresentem seu pedido de perdão por cerca de 9 milhões de cristãos mortos ao longo da história por governos muçulmanos. A respeito dessa estatística, vejam o artigo Evangelização pelo martírio : 70 milhões de cristãos mortos em 20 séculos. Estamos no aguardo desse pedido de perdão!

      Um abraço fraternal,

      José

      • Olá Irmão José,

        Obrigado pelos replys. Antes q eu poste meu ultimo comentário sobre este assunto, diga-me uma coisa, por favor:

        As cruzadas foram “reação” de quem?

        Abraços pra vc.

      • Olá irmão Adriano,

        sempre bom ver você aqui. Leia por favor o artigo A Quinta Ferramenta e saberá como se desenvolveram as invasões muçulmanas. Segundo historiadores atuais, foi a partir daí que houve a reação das nações cristãs contra essas invasões.

        Abraço fraternal

        José

  4. Olá irmão,

    Obrigado mais uma vez pela resposta e sugestões de leitura. Como disse, este é meu último comentário neste post.

    Com o devido respeito, se o objetivo do artigo é informar, desfazendo enganos a respeito das cruzadas, este objetivo se perde nas defesas infundadas, apenas citando uma dentre várias, como a das boas Intenções de Urbano II. “Defender os irmãos?” Faça-me o favor!

    Ora, em sua prédica no concilio de Clermont, ele se apresentando como “prelado de toda a Terra” afirma que Deus havia escolhido a França para liderar o esforço de liberar a terra santa do domínio dos infiéis (a quem chama de raça vil), e que todo o que participasse teria seus pecados perdoados, e que as posses e muitos tesouros de seus inimigos pertenceriam aos cruzados como espólio de guerra. (Veja transcrição do sermão segundo Balderic de Dol, citado por August. C. Krey, entre outras fontes históricas)
    Ele ainda comanda que mercenários, e bandidos que antes brandiam suas espadas dinheiro, agora matem por Cristo(!) e pela recompensa eterna. “Que cada Salteador se torne o cavaleiro!”

    Isto para não citar suas aspirações de unificar novamente o romanismo (constantinopla e roma) acabando com a cisma, e por tabela ganhando controle sobre Jerusalém.

    As cruzadas não foram resposta das Nações Cristãs, como o irmão afirma. Foi a resposta de Roma e de um cosmovisão distorcida do evangelho.

    O Irmão ainda afirma que segundo a mentalidade da época e contexto histórico, era a resposta imaginável.
    Eu digo que poderia até ser uma resposta imaginável SE estivéssemos falando da DEFESA de um ESTADO ameaçado pela expansão islâmica. Mas Urbano, Inocêncio e outros, conclamam a defesa da FÉ, não do estado, por meio da espada, eliminando a “vil ameaça sarracena”.
    Me parece o mesmo que hoje propõe Armadinejahd com respeito ao Estado de Israel. Ou não?

    As cruzadas foram um crime. E nenhum outro crime antes cometido pela espada dos califas justificaria tal esforço EM NOME DA FÉ.
    Certamente não podemos condenar os cruzados, concordo. Todavia, podemos, e devemos, condenar as suas obras, pois são dignas de reprovação.

    E se me permite perguntar, irmão, pois não o conheço, nós “cristãos, quem” pedimos perdão? E quando? O Irmão já pediu? Ou quem lhe representou? Paulo II?

    Por fim, Eu não espero pedido de perdão. Não direcionado a mim, mas ao Pai que os ama, apesar de continuarem matando até hoje. Espero sim pelo dia da redenção quando todo olhe verá, e toda língua confessará o senhorio de Jesus. E enquanto este dia se aproxima, vou fazendo a minha parte, para se possível alcançar alguns.
    Abraços, e a paz de Jesus para o irmão.

    • Olá irmão Adriano,

      Nós que agradecemos por sua contribuição!

      Urbano estava delirando, pois ainda naquela época a igreja cristã bizantina era muito mais poderosa que a latina. Quem foi pedir ajuda aos cristãos latinos em Roma: o próprio e poderoso imperador bizantino Alexis II Comnenos. Ele foi a Roma, pois a devastação das tribos árabes ameaçava seu reino. Notem como a ameaça muçulmana, que já tinha conquistado a Espanha, sul da França, Sicília e grande parte da Anatólia (hoje Turquia), moveu para uma união entre as igrejas orientais e a latina, que na verdade se desprezavam mutuamente. Sim, as invasões muçulmanas foram graves.

      O Vaticano havia sido saqueado pelos muçulmanos invasores. Mas o que causou enrome repercusão no meio cristão, não importa de que denominação (latina, ortodoxa, assíria, caldéia, jacobita…), foi quando um califa muçulmano ordenou a destruição da Igreja do Santo Sepulcro por volta de 1000DC (me falha a memória a data exata).

      Imaginemos: se o Iraque, Síria, Palestina, Egito, Líbia, Marrocos, todos regiões e países cristãos não tivessem sido invadidos pelas tribos de nômades invasoras e estrangeiras árabes. Quando aconteceria uma Cruzada? Nunca. Se Constantinopla, centro da igreja ortodoxa não estivesse sendo sitiada por pelos árabes invasores, teria ido Comnenos até Roma pedir ajuda? Jamais, latinos e ortodoxos se detestavam. Houveram sim aspectos políticos, mas o que criou o ambiente para essas motivações políticas foram as invasões muçulmanas.

      Invasões essas que tinham conquistado cerca de 60% dos cristãos do mundo! Já imaginou? É como se hoje víssemos dentro de 150 anos, cerca de 1,2 bilhões de cristãos conquistados por uma ideologia agressiva e tratados como cidadãos de segunda classe, perseguidos e mortos ou humilhados. Suas igrejas destruidas e niveladas ao chão para que mesquitas fossem construídas em cima. Num só decreto do governante muçulmano da Síria, 3.000 igrejas foram arrasadas em poucos meses. Não foi coisa pequena, a invasão muçulmana. Assustou o mundo, apavorou governantes e prelados. Colocou de joelhos o milenar e poderosíssimo Império cristão Bizantino, em apenas 150 anos.

      Roma pode ter capitalizado em cima dessa situação apavorante? Claro que sim. Teria conseguido capitalizar sem as invasões muçulmanas. Claro que nao. Roma continuaria polilticamente secundária em relação à potência do império cristão ortodoxo com capital em Constantinopla (hoje Istambul, na Turquia). Roma cresceu politicamente no vácuo do enfraquecimento do cristianismo ortodoxo e oriental, causado ele pela destruição e genocídio dos conquistadores árabes muçulmanos. Por causa das invasões muçulmanas, o cetro da primazia cristã passou do oriente para a Europa, onde ficou durante 1.400 anos até hoje.

      As invasões muçulmanas foram uma catástofe. Certos relatos mencionam como sendo uma calamidade, algo indescritível. Um castigo de Deus, diziam outros. As pragas bíblicas, escreviam outros. Nos anos 1100DC entre a foz do rio Nilo e sua primeira catarata, foram destruídos mais de 300 monastérios cristãos, seus prelados assassinados e as numerosas comunidades cristãs das cidades e vilas dispersos ou convertidos à força para o Islã.

      Sim, as Cruzadas foram uma reação cristã essa calamidade que desabou sobre a maior e mais importante parte da igreja cristã no mundo.

      Abraços e que Deus te abençoe, irmão.

  5. Quando se fala das cruzadas deviamos lembrar que a libertação de toda a Península Ibérica da ocupação islâmica foi uma cruzada, A Reconquista é toda ela uma cruzada épica. Portugal resultou de uma cruzada no Ocidente. O conde D. Henrique foi um verdadeiro cruzado que veio para comandar a LIBERTAÇÃO. Os Portugueses avançam no norte de África e por mar para a Índia como cruzados, com a Cruz da Ordem de Cristo nas bandeiras e nas velas… o espírito de cruzada foi de sacrifício, heróismo, patriotismo… foi o melhor dos nossos avós.

  6. No passado foram criados muitos motivos para tirarmos a vida uns dos outros e as cruzados tambem foram criadas com o objetivo de tirar vidas.

  7. Desde o inicio da criaçao foram criados motivos para se tirar a vida e as cruzadas tambem serviu de motivo para se matar.
    Lembremos de Caim e Abel,De farao que mandou matar as crianças para que israel nao viesse a ter um libertador se sua servidao,De herodes que mandou que as criaças fossem mortas para que Jesus nao viesse a nascer.
    Pensem bem,Nao seria melhor lembrar dessas historias como algo que nunca mais devera acontecer e realmente nao deixar que volte a acontecer?

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