Entrevista: Moisés, um ex-muçulmano da Nigéria


A equipe da Portas Abertas da Alemanha foi para Nigéria e entrevistaram Moisés em março de 2009. Leia como foi que Cristo agiu na vida de um jovem que foi ensinado desde pequeno a odiar os cristãos e o cristianismo.

P: Moisés, você poderia nos contar sobre sua vida antes de você se tornar cristão? Sua fé, sua família?
Moisés: Sim, meu nome é Moisés. Sou da Nigéria, do oeste do país. Nasci em uma família muçulmana. Meu avô era um estudioso islâmico bastante popular e influente. Era assim que nos víamos. Fomos ensinados a sermos muito rígidos em relação à nossa fé, não permitindo que outro ensinamento tirasse nossa atenção. Todos estudamos em escolas islâmicas, e crescemos praticando nossa fé de forma tão devota que não nos permitíamos desanimar de forma alguma.

P: Pessoalmente, como era sua fé nesse momento? Em que você acreditava?
Não acreditava em nenhum deus a não ser em Alá. Não tinha dúvidas quanto à unidade de Alá, de que ele era o único deus do universo, o criador de tudo. Descartava qualquer ensinamento que fosse contrário aos ensinos do islamismo. Eu zombava deles, não queria nem ouvi-los. Era assim.

P: Você experimentou o amor de Alá em sua infância. Você teve alguma experiência pessoal com ele?
Não tinha nenhum relacionamento com Alá da maneira que tenho hoje. Sabia que ele era o deus do universo, que tinha de obedecer-lhe. Não sabia nada do amor de Alá, nem que ele me amava. Ele era meu deus e eu era seu servo. Devia obedecer a qualquer ordem dele, senão iria para o inferno. Era esse o ensino que eu tinha. Eu tinha muito medo dele. Eu tentava cumprir ao pé da letra o que estava no Alcorão ou nos hadiths (coleção das palavras do profeta Maomé).

P: O que você achava do cristianismo na época?
Quando via cristãos, não queria me aproximar. Não queria ter nada a ver com cristãos. Havia sido ensinado a jamais me associar aos cristãos. Desde pequenininho, não tinha ligação alguma com cristãos. Não podíamos tocar nos livros deles porque nosso professor dizia que, se fizéssemos isso, o poder do livro sairia e desviaria nossa fé do islamismo. Eu odiava cristãos. Quando via um cristão, considerava ele como meu inimigo, por causa de tudo que me diziam sobre eles.

P: O que aconteceu para você conhecer Jesus e se tornar cristão?
É uma longa história. Eu tinha um amigo chamado Mark. Estudávamos juntos. Um dia, ele se aproximou e disse que eu deveria ser amigo dele. Começamos a ler juntos. Eu sabia que ele era cristão. Já que estava fora de casa, sabia que ninguém estaria me observando. Então Mark passou a ser um amigo meu. Ele ia até minha sala e deixava alguns folhetos e livros cristãos, mas eu não me interessava em ler.

Isso durou muito tempo. Ele jogava os textos pelo buraco da fechadura ou passava por baixo da porta. Eu pegava e rasgava. Depois de um tempo, eu lhe disse: “Se você quiser continuar nossa amizade, pare com isso. Não quero que você deixe mais nada na minha sala de novo. Se você fizer isso outra vez, então nossa amizade vai terminar“.

Então citei um verso do Alcorão, que diz: “Não adoro o que adorais. Não adorais o que adoro. Nunca adorareis o que adorais. Nunca adorareis o que adoro. Tendes vossa religião e tenho a minha” (Sura 109.3-6).

Jesus, seja meu amigo!

Certo dia quando fui à sala do Mark, havia uma pintura de Jesus na parede. Olhei para a figura, e havia uma frase escrita: “Meu povo é responsável pelas almas perdidas, porque elas não oram”.

Vi um homem com as mãos juntas, orando, e assumi que era Jesus. Aproximei-me do retrato e, enquanto o olhava, disse sarcasticamente: “Os cristãos adoram você, Jesus. Bem, para a sua informação, você é um profeta de Alá. Você não é nada mais que isso. E você é humano como eu. O seu “nascimento miraculoso” não é tão miraculoso como o de Adão. Os cristãos erram em cultuá-lo, chamando-o de Deus. Vamos fazer um acordo. Seja meu amigo“.

Continuei: “Se você é mesmo Deus, o filho de Deus; se você é digno de culto, então revele-se a mim. Fale comigo, prove-me que você é tudo isso“.

Logo após isso, ouvi Mark chegando. Quando ouvi seus passos, parei de falar e me controlei. Então fomos para a escola.

A visão de Moisés

Quatro dias depois, tive uma visão. Não era um sonho, porque eu estava estudando para as provas, e estava em meu quarto, lendo minhas notas. Estava encostado na parede, com meu caderno. Li e depois fechei o livro, tentando memorizar o que tinha lido.

Fechei os olhos e, de repente, fui transportado para outro lugar. Fui levado ao deserto, onde não havia árvore, água, grama, só areia. “Como vim parar aqui?” Estava assustado. Era tudo escuro. Eu estava querendo saber, “O que está errado aqui? Eu estou numa fria!” Uma escuridão me envolveu e o medo apertou meu coração. Eu continuava me perguntando: “O que há de errado aqui? Estou numa fria!“. A escuridão me envolvia e o medo tomou conta do meu coração.

Então vi a luz de uma estrela do norte. Vinha em alta velocidade, na minha direção. Quanto mais se aproximava, mais forte brilhava. Quando a luz chegou bem perto, não conseguia encará-la porque me cegava os olhos. Eu ficava encarando o chão. Então a luz mudou. Quando ela diminuiu sua velocidade, tentei ver o que havia lá.

Vi uma nuvem se formando a uns dez metros de altura. Em cima da nuvem havia um trono magnífico. Não sei do que era feito, mas brilhava. Sobre o trono, havia um homem vestindo roupas brancas, com um cabelo longo, bigode. Ele era muito, muito bonito. Eu só olhava. O homem sorria e, depois de um tempo, ele acenou: “Tchau”. Notei que havia uma ferida.

Ouvi canções, canções angelicais, que diziam: “Santo, santo, santo“. O lugar inteiro estava cheio de música: “Santo, santo, santo, Jesus, Filho de Deus”. Não consigo repetir a canção agora, mas era essa sua mensagem: “Jesus, Filho de Deus, santo, santo, santo, santo, santo“. Enquanto cantavam, a cena toda foi indo embora, da mesma forma que a luz. Foi aos poucos para o céu e acabou.

Então, abri os olhos. O que tinha sido aquilo? Eu estava curioso. Perguntei-me se seria o resultado do desafio que fizera ao retrato (de Jesus) no quarto de Mark. Esse pensamento veio de repente, então descartei essa hipótese. Pensei que talvez fosse uma alucinação, depois de estudar tanto.

Começaram a acontecer coisas

Mas começaram a acontecer coisas. Eu não tinha mais paz (de espírito). Comecei a pesquisar as Escrituras. Um amigo meu me deu um Novo Testamento, dos Gideões Internacionais, e me pediu para ler todo o Evangelho de João. Um verso em particular me chamou a atenção, João 8.58: “Antes de Abraão nascer, Eu Sou“. Era sério: antes de Abraão nascer, Jesus já existia? Jesus nasceu antes de Abraão?

Continuei a fazer perguntas. Sempre que encontrava cristãos, lhes perguntava: “O que isso quer dizer, o que aquilo quer dizer?”. Aos poucos, fui realmente convencido de que o Jesus é o caminho. Às vezes, nessa época, eu andava na rua e ouvia uma voz: “O caminho que você está andando não é certo. Volte, meu filho, volte para mim“. Eu me virava, mas não havia ninguém ao meu lado. Achei que estivesse ficando louco. Conversei com muitos cristãos, e eles me diziam que a voz era real. “Olhe, Jesus está chamando você. É melhor entregar sua vida a Ele”.

Durante quatro ou cinco anos, não tinha mais paz em mim, e tinha medo da morte. Pensava: “Se morro agora, para onde irei?“. Então decidi dar minha vida a Cristo.

Sim, muitas coisas aconteceram, mas esse é o resumo.

P: Você tinha como contar essas histórias, e também sobre sua visão, à sua família?
Logo que dei minha vida a Cristo, minha família ficou sabendo. Fiquei preso em um quarto por cinco dias. A princípio, me batiam até eu desmaiar. Se você for ver minhas costas, verá muitas cicatrizes. Fui seriamente repreendido, humilhado. Esse quarto onde fiquei era em um depósito; só tinha um tapete lá.

Eu pensei: “Como posso fugir?”. Graças a Deus, Ele enviou um cristão que pulou o muro e foi até o quarto. Ele ia todas as noites e trazia comida. Tinha medo de que a comida que minha família muçulmana me dava estivesse envenenada. Eles me falaram que meu irmão caçula iria me matar quando tivesse a oportunidade. Por isso, me recusava a comer a comida que eles traziam.

Aquele cristão chegava por volta da 1 da madrugada, com comida e um pouco de água em uma bolsa de couro. Ele jogava pela janela para eu pegar. Achei que ele iria fazer aquilo só naquela noite. Mas ele veio trazer comida durante cinco dias. Na quarta noite, eu supliquei ao meu irmão cristão: “Como posso sair daqui?”. Havia barras de ferro na janela. Ele trouxe uma serra a mim e eu comecei a cortar. Cortei uma barra, cortei outra. Antes de se quebrarem, levantei as barras e fugi.

Fonte: Portas Abertas

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