PSDB: sem medo do passado

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, outro artigo luminoso. Parece extenso. Chega-se ao ponto final em três minutos. Saboreie o texto e veja porque o PT tenta descontruir a imagem daquele que fez muito pelo Brasil.

SEM MEDO DO PASSADO
Fernando Henrique Cardoso

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, auto glorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu Lula e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um refrão – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente.

Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista.

Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobrás, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobrás produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia.

Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total (=12 milhões de brasileiros sairam da pobreza). A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5% no salário mínimo.

O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real (hoje sua renda média é inferior à sua renda média do tempo do início do Plano Real entre 1995 e 1997, descontada a inflação).

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”.

Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

Artigos relacionados:
FHC desafia Lula para uma conversa ‘cara a cara’ após fim de mandato
Dilma Rousseff, se negou a dizer que irá vetar projetos referentes ao aborto

Anúncios

Bispo: cristãos, não dêem seus votos à senhora Dilma Roussef.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini: não vote em quem apóia o aborto.

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.” Leia a declaração do Bispo dom Luiz Gonzaga Bergonzini, publicado dia 19 de julho de 2010 no site da CNBB e depois retirado do ar por algum censor da própria CNBB.
Continue lendo

Gianna Jessen: O médico que me abortou teve que assinar meu atestado de nascimento.

Essa mulher dedicada a Cristo que vocês estão vendo acima, nasceu abortada por meio do chamado “aborto por injeção salina”. Você sabe o que é o aborto por injeção salina? Nem queira saber, é terrível. Leia mais neste artigo. Mas Deus quis que Gianna sobrevivesse ao ser abortada e não só isso: ela que havia nascido com paralisia cerebral devido ao aborto, recuperou seus movimentos, é cantora e compõe musicas. Milagre? Só Deus sabe… leia mais a respeito.

Continue lendo

Manifesto de Madrid: cientistas e humanistas, pesquisadores, acadêmicos e intelectuais contra o aborto

Aborto? O povo é CONTRA!

Mais de 300 intelectuais e cientistas da Bio-Medicina, Humanidades e Ciências Sociais assinaram um primeiro Manifesto contra a lei do aborto livre na Espanha. Leiam o texto completo do Manifesto de Madrid contra o Aborto.

Continue lendo

Pais esquecidos: homens sofrem com aborto

O Aborto fere as mulheres. E os homens também. A mídia e grupos ativistas em prol da vida focam o aborto como sendo um assunto apenas feminino, e esta é de fato a forma como este assunto tem sido tratado nos últimos anos. Mas o aborto não é apenas sobre as mulheres e os bebês. Necessita-se de um homem para engravidar, e a criança que não nasceu também possui seu sangue e sua carne.
Continue lendo

Minha mãe, meu pai, quem me criou?

Minha mãe me carregou no ventre. Mas não foi ela quem me criou. Ela foi usada por Deus para me por no mundo. Eu não sou igual à minha mãe. Eu sou eu. Sou fisicamente diferente e sempre fui diferente dela. Sempre. Ou seja, desde que Deus me criou eu já era diferente dela. Embora minha ligação com minha mãe seja muito íntima, pois no começo eu comia pela boca dela e respirava pelo seu nariz, desde o início eu fui independente dela. Desde o começo eu tive minha própria vida e meu corpo, onde habita o meu espírito. Que é diferente do dela.
Continue lendo